domingo, 10 de abril de 2011

Leiame: O Apócrifo do Diabo - Toda História Sempre Tem Dois Lados

Dicas pouco convencionais de leitura!


  •   Nome: O Apócrifo do Diabo - Toda História Sempre Tem Dois Lados
  • Editora: Madras
  • Autor: JOHN A. DE VITO 
  • Ano: 2005
  • Edição:

(atenção: esse texto contêm alguns espoilers sobre a história, leia por sua conta e risco!)


 Do que se trata?

O conteúdo do livro é aparentemente uma ficção em que o autor relata a construção de um evangelho que teria sido inspirado por Lúcifer. 

Com uma releitura bem original das histórias contidas nos evangelhos, ele recria cenários históricos e vê os acontecimentos Bíblicos de uma forma diferente.

O autor “joga” com os papéis de Deus e de Lúcifer na criação do mundo e da humanidade,  oscilando de uma forma muito herética, ilustrativa e muitas vezes repugnante, com uma linguagem de leitura fácil e rápida.

A obra se desenvolve no decorrer de 181 páginas, dividida em 14 capítulos além do prefácio, introdução e de um epílogo. Com exceção do prefácio e da introdução que são uma narrativa de como o autor teria tido acesso aos textos que deram origem ao livro, todo o livro é escrito de uma forma característica de autores religiosos.

Desde o início da leitura, o autor cria uma atmosfera mística de segredos e perigos. Dizendo em seu prefácio (que teria sido escrito a próprio punho) que o material usado para produzir o livro em questão foi encontrado em um manuscrito com mais de um século de idade e de forma alguma é de sua autoria. Ele alega ter encontrado o manuscrito dentro de uma parede falsa, em uma antiga casa de pedra onde residia um tio seu, na Itália. Essa casa seria o pouco que sobrou da herança material de seus antepassados depois de alguns negócios mal sucedidos. 

O manuscrito em questão era muito velho, escrito em pergaminhos que se deterioraram com o tempo e começaram a ressecar assim que foram expostos ao ar.  Com o ressecamento, o autor diz ter se prevenido e tirado cópias antes que se perdessem por completo, o que após algum tempo, providencialmente acabou ocorrendo... ;)

Os textos pareciam não terem nexo, sendo escritos em um linguajar que mesclava alemão, inglês e palavras que pareciam terem sido criadas pelo próprio autor, de forma a aparentemente confundir os prováveis leitores de forma intencional. Foram anos tentando traduzir, com ajuda de amigos e de uma página na internet onde voluntários no mundo todo o ajudaram na tarefa. Com o tempo, o texto começou a fazer sentido e perceberam-se seis idiomas distintos: inglês, italiano, alemão, grego, latim e hebraico.

Com essa descoberta, as traduções começam a revelar um fantástico relato alternativo de algumas passagens bíblicas, que eram muito chocantes e causavam um certo mal-estar. Não apenas pelo seu conteúdo explícito de violência e aberrações, como pela incrível lógica avançada demais para a época em que foi escrito, com utilização de conceitos contemporâneos de história, física e filosofia.

 Com uma conversa com o seu tio italiano, ele descobre que naquela casa morou um irmão do seu bisavô, que foi um padre expulso do clero por heresia e que foi assassinado de forma misteriosa. Deixando uma herança de medo e ódio para com sua família. O autor diz ter procurado seu avô ainda em vida para tentar mostrar o manuscrito já traduzido e tentar mostrar-lhe que seu tio não era um homem mau, mas o velho senhor se negou a fazê-lo dizendo, de forma bastante magoada, não querer passar por humilhações novamente. Por esse motivo, o autor esperou até a sua morte para publicar o livro com esse estranho material.

A narrativa do que seriam os tais manuscritos começa com o próprio autor dos manuscritos descrevendo como teve acesso a tais informações. De uma forma ainda mais Holywoodiana que seu sobrinho-bisneto mais de cem anos mais tarde, ele diz ter sido escolhido pelo próprio anjo caído, Lúcifer, para contar essa história. E que demorou cerca de uma década para encontrar todas as partes da história, que estavam escritas em pergaminhos escondidos em locais muito remotos do mundo. Sob a guarda de criaturas que há muito haviam deixado de serem humanas e em regiões de extrema hostilidade onde sua vida correu risco de ser encerrada diversas vezes. 

Em todo o texto ele faz duras críticas ao cristianismo, mas não aos cristãos ou às instituições cristãs, como fazem muitos autores hoje em dia, mas sim ao próprio Deus cristão, que ele acusa teologicamente de ser mentiroso e cruel. Encerrando sua narrativa em um tom profético de que essa é a verdade absoluta e que somente quem a seguir terá alguma chance no futuro “fim dos tempos”.

Em seguida começam então os livros que compõe o evangelho de Lúcifer, que partem da criação de um universo, em outra realidade paralela a nossa, onde as leis naturais que criaram a vida em um ciclo inimaginável (aos humanos) de acontecimentos, estavam encerrando a sua existência para um novo recomeço. Seria nessa realidade que teria nascido o Deus cristão ou “o Trino” como é referido em todo o texto, infinitamente mais poderoso que seu conterrâneo Lúcifer ou “o príncipe”.

Em uma fuga para salvar sua existência da eminente desintegração de sua dimensão, os dois teriam encontrado uma forma de se exilar em outra realidade, esta onde reinava o vazio absoluto. Que seria justamente aqui, onde vivemos nossas vidas. E então começam as descrições de como nosso universo foi criado, e como seria a versão do capeta do que aconteceu.


Opinião pessoal sobre a obra: 

De uma forma geral, a leitura deste livro é bem perturbadora.

Em boa parte devido a riqueza dos detalhes, do conteúdo blasfemo e da fantástica capacidade ilustrativa do autor. Eu pessoalmente caracterizo esta leitura como uma curiosa viagem por um mundo estranho que nos agrada muito por estar restrito apenas às páginas de um livro. 

O autor demonstra ter feito um profundo estudo sobre simbologia, estudos bíblicos, história, antropologia, física e psicologia. Fazendo uma fantástica composição entre opiniões próprias, dados reais e fictícios.

Mas talvez o mais perturbador nessa leitura não sejam as descrições dos atos de violência, nem a estranha e extrema coerência entre os acontecimentos e nem as inúmeras blasfêmias que devem ferir as pessoas com criação ou vivência cristã, mas sim os fatos que envolvem a produção do livro em si. Como por exemplo o fato de o autor ter publicado o livro como “não-ficção”. E o fato de eu não ter encontrado outros títulos desse mesmo autor no mercado, ou mesmo uma menção qualquer ao seu nome que não sejam propagandas comerciais da venda do próprio livro em questão. Aparentemente, a obra foi totalmente ignorada pela crítica e pelas organizações religiosas, o que deixa no ar uma dúvida se o fizeram por acharem a obra irrelevante ou se para não dar crédito e criarem margem para discussões que não poderiam vencer.

Este livro é um deleite para pessoas que são firmes em suas crenças e gostam de pô-las à prova, para céticos que podem se municiar de argumentos criativos desconhecidos da maioria e para admiradores das coisas estranhas que povoam o nosso mundo e as mentes das pessoas. 

Mas também é uma doentia distorção dos conceitos cristãos que pode ferir e ofender pessoas mais ortodoxas em suas crenças. 

De qualquer forma, é sem sombra de duvida uma leitura recomendada somente para maiores de idade que tenham uma avantajada tolerância em seu caráter literário, dado seu conteúdo pesado, indigesto e possivelmente causador de conflitos.


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Jair Bolsonaro

Com todo esse tumulto causado pela questão das palavras proferidas pelo estrambólico deputado Bolsonaro (em tempo: em uma vídeo previamente gravado, Preta perguntou qual seria a reação de Bolsonaro se um filho dele namorasse uma negra. A resposta do polêmico político foi exatamente esta: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu”. http://extra.globo.com/retratos-da-vida/preta-gil-vai-processar-jair-bolsonaro-por-declaracao-na-tv-1435978.html), chovem e-mails pedindo pra mim assinar abaixo-assinados contra o rapaz, chamando o cara de direitista, militarista e tudo mais o que possa se imaginar relacionado com o golpe militar e os anos de ditadura.


Não assino nenhum deles, pois esse pessoal que está lutando contra a opinião do Bolsonaro, pra mim são tão ou mais injustos do que os próprios militares que não gostavam das opiniões contrárias.


Que espécie de defesa é essa que se faz acusando o cara de preconceituoso e querendo proibir o cidadão de expressar sua própria opinião? Ok, ele é um político, e tem que cuidar com suas palavras, escolher bem. Mas o que todos esperavam? Que ele mentisse? Que ele fosse hipócrita? O cara respondeu a pergunta dentro dos direitos que foram defendidos por aqueles contrários à ditadura: liberdade de expressão, não à censura, direitos humanos. Deixa a opinião do Bolsonaro, ! Pelo menos quando eles falam o que pensam realmente, a gente pode protestar... mas NA HORA DE VOTAR!


Deixo uma frase ótima que , do Noam Chomsky, linguista e militante esquerdista norte-americano: "Se você acredita em liberdade de expressão, então acredita em liberdade para exprimir opiniões que você não gosta. Stálin e Hitler, por exemplo, eram ditadores favoráveis à liberdade de exprimir apenas opiniões que eles gostavam. Se você é a favor da liberdade de expressão, isso significa que você é a favor da liberdade de exprimir precisamente as opiniões que você despreza".