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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Bicho Papão é Destro?


Anders Behring Breivik - Getty Images

Semana passada Anders Behring Breivik, réu confesso dos atentados ocorridos em 22 de julho deste ano na Noruega, onde ele assassinou 77 pessoas, concedeu uma polêmica entrevista de dentro da prisão ao Jornal VG, de OSLO, onde afirmou que no dia dos atentados, o carro-bomba que preparou tinha originalmente a intenção de derrubar o edifício inteiro da sede do governo da Noruega para matar do primeiro-ministro do país, Jens Stoltenberg, além da ex-premiê Gro Harlem Brundtland, o titular das Relações Exteriores, Jonas Gahr Store, e o presidente da juventude social-democrata (AUF) Eskil Pedersen, aos quais chamou de "traidores de classe A", mas a explosão causada por ele, que matou oito pessoas, não conseguiu atingir o objetivo. Na mesma entrevista, Breivik afirmou que foi só após fracassar nessa “missão” que decidiu ir à ilha de Utoya, onde matou a tiros 69 jovens que estavam acampados em um evento da juventude social-democrata.

O jovem bem sucedido nos negócios, que outrora fora adjetivado positivamente por muitas pessoas, hoje recebe um tratamento oposto, sendo considerado um monstro tenebroso por boa parte do mundo. Digo “boa parte” porque mesmo sendo um assassino brutal, Breivik possui admiradores.

As declarações dele ao jornal surpreendem pelo desdém com que trata o fato de ter executado friamente quase 80 pessoas em um único dia, colocando o massacre dos estudantes como uma espécie de “prêmio de consolação” por não ter atingido o objetivo principal. E tudo indica, a julgar pelos detalhes que envolvem o caso, que mesmo que tenha sido uma espécie de “plano B”, o assassinato dos jovens foi muito bem arquitetado e calculado, em uma notável lógica perversa de obtenção de sucesso a qualquer custo.

Essa postura fria e ausente de empatia é geralmente vista em pessoas com distúrbios de personalidade graves, como os sociopatas, os maníacos e os assassinos em série, mas, a contragosto do senso comum e da imprensa, seria realmente coerente afirmar que esse homem é um louco? A pergunta parece ridícula em um primeiro momento, mas se levarmos em conta que a menos de um semestre Breivik era um cidadão exemplar em todos os contextos sociais da sua comunidade, sendo um jovem bem apessoado de 32 anos muito bem sucedido nos negócios, cristão, com uma rotina saudável de exercícios, atuante no cenário político, formador de opinião e bem humorado na maior parte do tempo, será que o argumento de que ele é insano se sustenta?

A resposta é difícil de ser definida ao passo que entende-se por “louco” uma pessoa que vive em um mundo diferenciado dos demais seres humanos. Com conceitos distorcidos e deformados em suas impressões de mundo, e que age segundo suas próprias regras, sejam elas ordenadas conscientemente por si mesmo ou por alguma entidade externa fruto de seu delírio. E essa descrição não se encaixa em Anders Breivik, que tem uma vida correta segundo os conceitos de sua comunidade, mas sem ser correta demais como esperam alguns fãs do assassino que o querem ver como uma pessoa perfeita. 

Ele era uma pessoa normal até um dia antes do atentado, e agora, foi promovido a lunático após um fato absolutamente isolado de sua vida. E tanto antes quanto depois de seu pretenso “surto psicótico” ele continua apresentando uma leitura fria, calculista e cruel dos acontecimentos, mas todas inegavelmente reais.

Os motivos que ele apresenta para justificar sua atitude, apesar de pesadamente carregados de passionalidade e preconceitos, existem realmente. Não são delírios de uma mente perturbada mas uma constatação de fatos reais seguida de um julgamento pessoal.

Não, Breivik não é louco. 

É um fanático, cruel e perverso sim, mas louco ele não é. Ele sabia o que estava fazendo, e continua consciente do que fez. E a frieza em seu depoimento apenas demonstra a certeza que ele tem sobre suas convicções ideológicas, onde ele se isenta de culpa.

Chamá-lo de louco é simplificar perigosamente o que ele representa. É afastar a possibilidade dele não ser o único militante de suas idéias racistas que considere o homicídio em massa uma opção para atingir seus fins.

Notoriamente extremista em suas crenças, esse norueguês carrega consigo além de adjetivos figurados a respeito do desrespeito pela vida dos seus opositores, a pecha de ser um militante da direita conservadora européia, sendo popularmente nomeado como “ultradireitista” ou “de extrema direita” pelos jornais. O que serve tanto para buscar uma maior justificativa para sua suposta loucura, quanto para tentar agredir os movimentos legítimos da direita na Europa, que encontram-se em uma fase de popularidade bastante crescente.

É preciso fazer uma leitura critica dos fatos para não se entrar em contradição, uma vez que a maior parte dos argumentos levantados pelo senso comum e pela imprensa mundial não são capazes de se sustentar em uma avaliação pontual.

Breivik é inegavelmente um assassino frio com motivação racista de altíssima periculosidade, e as razões dele para os crimes que cometeu são realmente de origem ideológica. Mas, ele não deixa de ser considerado um membro da elite européia, e apesar das ideologias dele serem condizentes com as propostas dos partidos de direita, ele não é nada além de um cidadão comum na esfera partidária.

A busca por encontrar uma razão demoníaca para as atitudes dele, culpando algo pretensamente maior do que a simples vontade, de forma quase metafísica, não corresponde com a realidade dos fatos. Tratando-se claramente de um processo de desmoralização absolutamente inconseqüente da ideologia conservadora, ao tempo que o absolve por seus crimes por ser ele um homem na verdade doente, que só fez o que fez devido à combinação explosiva entre a sua patologia mental e a ideologia maléfica defendida pelos conservadores.

Nem Breivik é doente mental, e nem o conservadorismo e a direita são peçonhentos.

E isso precisa ser trazido ao debate quando se fala nesse caso, onde um homem, que pode ser parte de um grupo, tomou uma atitude absurdamente violenta para declarar sua indignação em relação sua visão do cenário político-social, e a preocupação não deve ficar concentrada em estereótipos pejorativos e interesses escusos de manipulação da opinião pública, uma vez que notadamente essa postura ridícula e sem base pode mascarar o verdadeiro mal por traz do acontecido e gerar ainda mais violência nos dias vindouros.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Entre o Óleo de Peroba e o Kevlar¹


O presidente nacional do PMDB, Senador Valdir Raupp (RO), afirmou semana passada (no dia 22 de setembro) durante o lançamento da pré-candidatura do Deputado Federal, Marllos Sampaio à prefeitura de Teresina nas eleições de 2012, que a corrupção é "inerente ao poder e a democracia".

Nas palavras dele: "A corrupção, infelizmente, envolve ministros no Japão, nos Estados Unidos, na Inglaterra, Portugal e Espanha, e no Brasil como se vive uma democracia não seria diferente. Isso acontece". (…) "Quero dizer que a corrupção é inerente ao poder e a democracia, porque existem países em que a corrupção não aparece por que não é apurada. E aqui, se apura com rigor."

O homem que no mesmo discurso também defendeu os ex-ministros do Turismo Pedro Novais e da Agricultura Wagner Rossi, que foram exonerados do governo Dilma após denúncias de corrupção, dizendo que não há provas contra eles, pode ter deixado escapar algo que muitas pessoas gostariam de dizer a plenos pulmões mas não o fazem por medo dos inquisidores que estão sempre atentos prontos a incinerar os hereges que ousem questionar a puríssima e intocável democracia. Seria o Presidente nacional do PMDB um anti-democrata? É impossível afirmar. Ao mesmo tempo que também é impossível se utilizar da sua postura como embasamento para qualquer idéia, visto que no mesmo discurso ele não apenas recua no ataque que fez, como na sequencia ainda utiliza o espaço para sair em defesa de alguns representantes políticos de caráter duvidoso.

Bastante curioso o argumento que utiliza para se defender de algum rótulo que possa vir a receber por sua crítica, que por coincidência ou não, é um argumento bastante comum utilizado pelos inquisidores: o de que nos governos não democráticos a corrupção somente não é visível por não haver investigação do estado para si mesmo. Argumento esse que se torna uma faca de dois gumes, em um primeiro momento servindo ao seu propósito de ataque, dizendo que que os governos autoritários são tão corruptos quanto os democráticos (sem dados para serem citados) e rebatendo assim a argumentação contra a democracia nesse aspecto, e em um segundo momento ferindo o próprio atacante que acaba por admitir que a corrupção nos sistemas democráticos é algo que exige um esforço específico da maquina publica para ser contido, como um mal natural no próprio processo, apesar da sua “legitimidade” e da transparência das suas prestações de conta.

Não obstante, é preciso salientar com veemência que é um tanto constrangedor ver o líder de um dos mais importantes partidos políticos do espectro nacional afirmar que a corrupção é algo inerente ao poder. Bem, sabemos que os homens não são anjos, e que se o fossem não precisariam ser governados. Mas há uma sutil diferença entre reconhecer que as as deturpações da ética prejudicam o trabalho político, e afirmar, com um sorriso que pode ser interpretado como como deboche no rosto, que as coisas são sujas mesmo e são assim porque é natural que sejam.

Esse tipo de postura, que combina perfeitamente com as posturas de diversos outros membros do poder público, poderia na verdade ser um bom argumento para a campanha do desarmamento. Para evitar que a televisão se torne um show dos horrores. Sim, pois qualquer cidadão que ao testemunhar algo assim e estando no momento a portar uma arma de fogo, teria quase que uma obrigação cívica de disparar os argumentos mais convincentes possíveis na direção da cabeça de certos parlamentares. E isso na TV, dependendo do horário, seria uma imagem imprópria para crianças e pessoas sensíveis.


1 - “Kevlar” é uma marca registada da DuPont. Trata-se de uma fibra sintética feita de polímero resistente ao calor e sete vezes mais resistente que o aço, usado na fabricação de coletes à prova de bala.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Dou Uns Tiro Mas Não Atiro


A alguns dias começaram a circular pela internet alguns vídeos bem simples, onde artistas muito populares ligados à Rede Globo se manifestam no sentido de convencer as pessoas à entregarem suas armas à campanha do desarmamento. O primeiro vídeo dessa nova investida desarmamentista começou bem, estrelando com o loiro de olhos azuis Fábio Assunção, que deu um tempo na carreira para prestar um sincero depoimento pedindo para que as pessoas entreguem suas armas pelo bem das crianças(!). 

Todo ano a política nacional de segurança pública apresenta a mesma brilhante solução para todos os problemas do universo: o desarmamento.

Quando o desarmamento foi importado para o Brasil pelas mãos do então Presidente da República, senhor Fernando Henrique Cardoso, foi apresentado à população como a cura para todos os males. Resolveria todos os problemas de criminalidade, acabaria com os homicídios, e o Brasil erradicaria todos os absurdos causados por armas de fogo de uma só vez. 

Não é minha intenção entrar aqui no mérito sobre a eficácia ou inutilidade do desarmamento, mas apenas opinar sobre o trabalho assustadoramente anti-ético feito pelos seus defensores no Brasil. 

Em 1997, o porte ilegal de arma, até então uma simples contravenção, foi transformado em crime. As exigências burocráticas para compra e porte de armas de fogo foram severamente ampliadas de forma a dificultar ao extremo a sua aquisição, e, no mesmo ano foi criado o SINARM (Sistema Nacional de Armas), que prometia centralizar os dados de todos os registro de armas do país.

Os anos passaram, e absolutamente nenhum efeito foi sentido nos índices do crime no Brasil. Aliás, muito pelo contrário, a criminalidade cresceu absurda e assustadoramente ao ponto que nosso país atingiu a inacreditável marca de 50 mil homicídios por ano.

Em 2003, se criou a lei 10.826. O famigerado “Estatuto do Desarmamento”. Aprovado, diga-se de passagem, em época de “mensalão”, sob um falso clamor popular (como ficaria provado em 2005 quando o povo esmagou as más intenções dos líderes votando “não” no referendo mais arbitrário e tendencioso da história), o  porte de armas foi terminantemente proibido e a simples compra de um revólver calibre .22 se tornou um extraordinário exercício de paciência para vencer a burocracia imposta. Para a população mais pobre o direito acabou, uma vez que os custos e as exigências são agora uma barreira intransponível para quase a totalidade dos Brasileiros.

No referendo de 2005, um debate unilateral tomou conta do país, e ficou claro como agiriam os desarmamentistas para conseguirem seu intento, mudando seus argumentos como quem troca de roupa a cada vez que fossem derrotados. Culminando no discurso do então Ministro da Justiça, Thomas Bastos, onde admitia que o desarmamento não tiraria as armas dos bandidos, fato que a oposição se apoderou e utiliza até os dias atuais como um dos seus principais argumentos.

Mesmo com o resultado inequívoco do referendo, onde o povo deixou claro que quer manter imaculado o seu direito à auto-proteção, o governo não desistiu de seu intento de impossibilitar que o cidadão tenha uma arma para sua defesa. Vieram então as campanhas “voluntárias” de entrega de armas. Criou-se nas mídias outro discurso fraudulento e malicioso: A entrega de armas impossibilitaria que caíssem nas mãos dos bandidos.

A contra argumentação para esse absurdo foi rápida e certeira: se o governo diz que o cidadão não deve ter uma arma para que a mesma não seja roubada, ele assina sua incapacidade em fazer cumprir a lei, em proteger o cidadão. Além disso, qual garantia o Estado dá que os criminosos não continuariam a se abastecer no contrabando? Nenhuma. Nossas fronteiras são território livre para o comércio ilegal de armas e munições, que chegam a fazer tele-entrega, entregando em casa, em todo território nacional depois de um simples telefonema.

Recentemente os adeptos do desarmamento, ou melhor, do convencimento, se viram alimentados pelas palavras do Senador José Sarney, que se aproveitando de uma das tragédias mais graves que nosso país já testemunhou, chamado pela mídia de “O Massacre de Realengo” , para trazer novamente essa discussão à pauta, baseando-se em um argumento plenamente emocional: acidentes com crianças. O que rapidamente, apesar das limitações econômicas, foi demonstrado pelos movimentos contrários, baseados em dados e pesquisa, como uma estratégia ineficaz para impedir esses tristes episódios, que em sua maioria envolvem armas ilegais. Mas o estrago já estava feito, esse episódio passou a ser  o novissimo argumento desarmamentista da semana, amplamente utilizado em vídeos de fundo branco, com artistas populares vestidos de branco, algumas vezes até com as narinas brancas, nos dizendo que as pobres criancinhas estão morrendo de medo de serem baleadas por armas legalizadas.

Fica a pergunta: Se desarmamento não combate o crime, não diminuiu homicídios, não desarma os criminosos e não garante que acidentes deixem de acontecer, qual será a próxima desculpa esfarrapada elaborada pelos defensores do desarmamento? Que tal a verdade hein cambada?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Seção Personalidades Estranhas - Bóris Iéltsin

Que Bóris Iéltsin foi um político russo que inseriu o capitalismo na Rússia e perdeu alguns dedos brincando com granadas na juventude, todo mundo sabe. Que o cara estava envolvido em escândalos e em altos casos de corrupção, todo mundo sabe. Que ele vivia bêbado e aprontando mil e uma peripécias pelo mundo todo mundo também sabe. E é por isso que nosso querido amigo de copo, amado por muitos levantadores de copos do planeta inteiro, é nossa personalidade estranha do momento.

Bóris Iéltsin

Não quero entrar no mérito político de tão mal falado homem. Não estou aqui pra julgar nem dar minha opinião sobre seus atos de governo ou suas escolhas políticas. Mas quero sim prestar uma homenagem ao pai da bebedeira russa, cuja personalidade, se fosse privada de nosso mundo, não nos permitiria dar tantas gargalhadas e ficar tão escandalizados com tantos vídeos bizarros vindo daquele país frio onde só tem louco e bebum.

Vodka russa

A bebida favorita de Bóris era a vodka, e sua preferida era a Stolichnaya, mas também gostava de tomar outras 42 marcas fabricadas na Rússia, gosto esse que permanecerá eternamente associado á sua imagem. Durante seu governo, que trouxe a Rússia ao mundo capitalista (em depreciação do socialismo), Iéltsin batalhou para que a indústria da vodka no país fosse liberta das restrições da distribuição mantidas pelo Estado, fazendo com que um número de indústrias da bebida razoavelmente grande ganhasse espaço no país. Alguns dos efeitos colaterais desse liberê geral foram que muita gente morreu por conta de vodkas de péssima qualidade e os problemas de alcoolismo que cresciam de forma assustadora, ameaçando até mesmo a economia do país. Com tudo isso, a regulamentação da bebida voltou, o que não impediu o mercado de vodka barata de aumentar. O país decretou estado de emergência em várias cidades devido á falta de capacidade dos hospitais de lidarem com a grande quantidade de indivíduos que consumiram vodka contaminada.

Há uma estimativa de que cerca de 42 mil russos morrem POR ANO em consequência da embriaguez de vodka barata (!!!! - isso corresponde à 116 mortes diárias, 5 mortes a cada hora), o que cria uma crescente preocupação no governo, afinal, com isso há uma estimativa de que até 2050 o país perca cerca de um terço de toda sua população (visto os problemas relacionados à natividade que colabora pra isso).

Mas voltando ao homem...

Iéltsin nunca escondeu seu problema crônico relacionado ao alcoolismo. Pelo contrário, era comum vê-lo aprontando das suas, seja dançando, seja caindo, seja bebendo. Em sua biografia também não esconde o jogo, diz que muitas vezes agiu sob influência do álcool no seu governo.

"Percebi que o álcool era a única maneira de aliviar o stress."

Outra cena muito comum era vê-lo cochilando em reuniões.

"Alguns dizem que a vodka atualmente é barata demais e que devíamos aumentar os preços. Mas eu ainda não tive coragem para isso. As pessoas têm sentimentos especiais por esta bebida. Elas não ligam de tomar um ou dois tragos depois do trabalho. Então não tenho pressa em aumentar os preços.”

Alguns fatos históricos

- 1989: teve que explicar ao Soviete Supremo o motivo de ter entrado numa delegacia em Moscou todo molhado e só de cueca;
- 1992: tocou colher (um instrumento musical russo) na cabeça de Askar Askayev, presidente da Quirguízia;
- 1994: em uma viagem de barco descendo o rio Volga, pediu a seus guarda-costas que atirassem seu porta voz na água. No mesmo ano, durante um desfile militar, pegou a batuta do líder da banda e tentou reger a orquestra. Depois, no mesmo dia, numa recepção, pegou um microfone e começou a cantar;
- Ainda em 1994, ao ser recebido pelo primeiro-ministro da Irlanda no aeroporto de Shannon, se recusou a sair do avião (provavelmente bêbado);
- 1995: flagrado beliscando a bunda de sua secretária numa reunião com correspondentes estrangeiros;
- 1996: dançou rock num comício, que rendeu muitas fotos engraçadas que abrilhantam o post;
- 1997: declarou, na Suécia, que iria reduzir o arsenal nuclear russo e buscar uma proibição mundial. Seu porta-voz depois disse pra não serem levadas a sério suas declarações;
- Existe um campeonato na Rússia chamado "Boris Yeltsin Cup". Não se trata de campeonato de vodka, mas sim de um campeonato de tênis, por incrível que possa parecer.

Alguns fatos também geraram polêmicas mas se desconfia que não passam de boatos. Por exemplo, Bill Clinton em seu livro de memórias, afirma que certa vez Iéltsin foi encontrado perto da Casa Branca de cueca, na madrugada, bêbado e procurando uma pizza, durante uma visita à Washington.






Morte

Bóris Iéltsin faleceu aos 76 anos. Desta vez, quando caiu, caiu pra não mais levantar.

*Agradeço meu colega Paulo por ter comentado sobre esta personalidade estranha e ter me dado à idéia de escrever sobre ele.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

Solta o Verbo: Rachel Sheherazade

Dando continuidade à campanha contra a imbecilidade do politicamente correto (veja o começo de tudo clicando aqui e aqui), hoje apresentarei a quem por ventura ainda não conhece, uma pessoa surpreendente. A jovem, talentosa e belíssima jornalista que não tem papas na língua: Rachel Sheherazade.


Conheci seu trabalho ainda esse ano, 2011, quando navegando pela internet acabei por encontrar um video em que ela comentava sobre a sua opinião a respeito do carnaval. Dali em diante, tenho tentado acompanhar cada palavra que ela diz, não apenas motivado pela massagem que palavras bem colocadas fazem nos assuntos em que minha opinião é semelhante à dela, mas em todos os outros também, uma vez que ela não fala abobrinhas, como um sem-número de jornalistas irresponsáveis que ocupam posições de destaque no nosso país. Rachel é diferente, minhas amigas e meus amigos, ela não se prende ao que manda o regimento da burrice imposto pelo senso comum.
Bem, ao realizar uma breve pesquisa em busca de mais informações a respeito dessa moça que usa a linguagem como arma, logo percebi que ela é bastante jovem, e portanto, as informações que se encontra sobre “quem ela é” na internet infelizmente são bastante superficiais e incompletas. Mas é possível encontrar detalhes como por exemplo, o fato dela ter nascido em João Pessoa, capital da Paraíba, se formado em Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba, ter trabalhado na TV Correio, afiliada da Rede Record na Paraíba, na TV Cabo Branco, afiliada da Rede Globo e em 2003, ter assumido a bancada do Tambaú Notícias, telejornal diário da TV Tambaú, afiliada do SBT na Paraíba.

Atualmente, Rachel Sheherazade é âncora (juntamente com Joseval Peixoto) no telejornal “SBT Brasil”.

Visite aqui o blog dela.

Senhoras e senhores, com a palavra, Rachel Sheherazade:







quinta-feira, 26 de maio de 2011

Solta o Verbo - Luiz Carlos Prates

Dando continuidade ao assunto proposto no meu último post, hoje vou dar a palavra ao jornalista, radialista e psicólogo Luiz Carlos Prates.


Prates nasceu em Santiago (RS), no dia 26 de janeiro de 1943. 

Iniciou a carreira em Porto Alegre no ano de 1960, quando atuou na extinta Rádio Porto Alegre, onde foi repórter, locutor e narrador de futebol de salão e de basquete. 

Em 1961 transferiu-se para a Rádio Difusora e, logo em seguida, para a Rádio Guaíba, onde trabalhou por quase dez anos. 

De 1964 a 1969, foi repórter da emissora Voz da América no Brasil. 

Em dezembro de 1972, formou-se em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica – PUC - do Rio Grande do Sul. 

Em 1975, foi contratado pela Rádio Gaúcha, onde trabalhou durante sete anos. 

Em 1977, tornou-se apresentador do “Jornal do Almoço” na TV Gaúcha.

Como narrador esportivo, participou de quatro edições da Copa do Mundo, de 1978 a 1990. Ainda atuou na Rádio Farroupilha e na TV Difusora de Porto Alegre.

Em 1981, mudou-se para Santa Catarina, onde trabalhou na TV Eldorado, de Criciúma. E na TV Record de Florianópolis. Em 1983, assumiu o cargo de coordenador de esportes da RBS TV de Florianópolis. Na emissora, narrou partidas de futebol e atuou como comentarista esportivo do programa “Jornal do Almoço”.

Exerceu a função de comentarista do Jornal do Almoço, da RBS TV de Florianópolis (entre diversas outras atividades ligadas à profissão de jornalista) até janeiro de 2011, quando saiu do grupo RBS.

A empresa não confirma, mas a saída de Prates ocorre após incontáveis manifestações de protesto contra alguns comentários feitos pelo jornalista em seu espaço na RBS TV e que foram mal recebidos por parte da opinião pública.

Pois bem, se lá te calam meu caro Prates, aqui queremos te ouvir!


Senhoras e senhores,  agora com a palavra, Luiz Carlos Prates:


“As pessoas andam doentes porque estão infelizes.”

"Este é um povo estúpido que não reage."

“Orgulho é consciência de valor, de trabalho bem-feito.”

“Para um ‘não te quero’, a melhor resposta é ‘nem eu’”

"Qualquer miserável agora tem carro"

“Se a lei não presta, mude-se a lei!”

“O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob, a chamada, ditadura militar”

"Ladrão tem que apanhar!"

“SAFADOS!” (Se referindo aos políticos envolvidos no escândalo das passagens aéreas).



Visite aqui o Blog dele.


Assista também:


Grafiteiros descriminalizados

Saiu hoje no Diário Oficial da União (DOU nº 100, seção 1, Atos do Poder Legislativo) a alteração da Lei 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, uma lei que aplicava sanções penais e administrativas sobre condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, entre outras providências como a integridade do Patrimônio Público.

E daí? “E daí” que essa lei de 1998 tipificava em um de seus artigos, o art. 65 no capítulo Dos Crimes contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural a prática do grafite, juntamente com a pichação, como crime. Para esta lei não havia diferença entre pichar e grafitar. Tudo farinha do mesmo saco. A penalização? Três meses a um ano de detenção, mais multa.

Ora, o poder público não fez essa diferença, embora ela seja bem marcante. Não está aqui em discussão se o grafite é bonito, se é feio, se eu gosto, se não gosto, ou ainda se é “mesmo” arte. Isso é discussão de outra ordem, lá no campo da estética. O ponto é que o Grafite é considerada uma arte de rua e a pichação é vandalismo. Em geral a pichação é demarcação de território de gangues, sujando o patrimônio público, depredando um bem de outra pessoa, desenhando em locais proibidos ou não solicitados pelos proprietários do bem. O pichador não está interessado em embelezar alguma parede nua, ele quer mostrar que ele “está na área” com dizeres, símbolos e assinaturas que identificam sua gangue e/ou suas práticas criminosas. Quem já não viu frases como “Nóis somos o terror”, “Porco deve morrer”, “Eu to é na bandidagem”... Precisa de mais exemplos?

O grafiteiro, muito pelo contrário, é de um movimento oriundo lá no final da década de 1970, em New York, das minorias sócioeconomicamente excluídas da cidade que desejavam expressar sua arte. Muitos eram contratados por ONGs ou proprietários privados para fazer alguma obra em uma parede nua. Grafiteiro faz sua arte em locais autorizados, de dia, sem precisar se esconder e dão uma aparência estética onde só havia concreto. Abrem janelas estéticas nos limites da pedra caiada da selva citadina... Mas claro, de 1998 até hoje, esta arte não podia ser expressa legalmente pois caia no mesmo fosso da pichação. Para uma cidade autorizar um grafite, por exemplo, nos túneis cinzentos de seus viadutos, teria de usar de subterfúgios jurídicos (que sempre há) para não ser sancionadora de crime: autoriza-se a “pintura artística de estilo urbano no viaduto da Conceição”. Ridículo!

Com a alteração de hoje na lei, saída no D.O.U., essa bobajada finda-se. Agora grafiteiro pode ser contratado para fazer honestamente sua arte e ter reconhecido pelo nome apropriado sua arte. De quebra a alteração impôs que a venda de sprays somente poderá ser feita a maiores de 18 anos sob identificação registrada na nota. Até que em fim! Criminalizaram em 1998, mas tinham deixado livre o acesso ao material da pichação – dá pra entender? Entretanto, não se enganem; existem muitas leis importantes tramitando no Congresso que não recebem atenção. Uma conquista como esta de hoje não vem desagregada de manobra política. Amanhã ou depois virá a cobrança da fatura: “porque nós respeitamos o povo e os grafiteiros... votem em nós!” ou “aquela lei bárbara era do governo do Fulano e nós alteramos para o bem do povo”.

O aprendizado político, cultural e jurídico é lento. Mas se perdermos a esperança de que nós podemos ter um mundo diferente... O que resta?