O presidente nacional do PMDB, Senador Valdir Raupp (RO), afirmou semana passada (no dia 22 de setembro) durante o lançamento da pré-candidatura do Deputado Federal, Marllos Sampaio à prefeitura de Teresina nas eleições de 2012, que a corrupção é "inerente ao poder e a democracia".
Nas palavras dele: "A corrupção, infelizmente, envolve ministros no Japão, nos Estados Unidos, na Inglaterra, Portugal e Espanha, e no Brasil como se vive uma democracia não seria diferente. Isso acontece". (…) "Quero dizer que a corrupção é inerente ao poder e a democracia, porque existem países em que a corrupção não aparece por que não é apurada. E aqui, se apura com rigor."
O homem que no mesmo discurso também defendeu os ex-ministros do Turismo Pedro Novais e da Agricultura Wagner Rossi, que foram exonerados do governo Dilma após denúncias de corrupção, dizendo que não há provas contra eles, pode ter deixado escapar algo que muitas pessoas gostariam de dizer a plenos pulmões mas não o fazem por medo dos inquisidores que estão sempre atentos prontos a incinerar os hereges que ousem questionar a puríssima e intocável democracia. Seria o Presidente nacional do PMDB um anti-democrata? É impossível afirmar. Ao mesmo tempo que também é impossível se utilizar da sua postura como embasamento para qualquer idéia, visto que no mesmo discurso ele não apenas recua no ataque que fez, como na sequencia ainda utiliza o espaço para sair em defesa de alguns representantes políticos de caráter duvidoso.
Bastante curioso o argumento que utiliza para se defender de algum rótulo que possa vir a receber por sua crítica, que por coincidência ou não, é um argumento bastante comum utilizado pelos inquisidores: o de que nos governos não democráticos a corrupção somente não é visível por não haver investigação do estado para si mesmo. Argumento esse que se torna uma faca de dois gumes, em um primeiro momento servindo ao seu propósito de ataque, dizendo que que os governos autoritários são tão corruptos quanto os democráticos (sem dados para serem citados) e rebatendo assim a argumentação contra a democracia nesse aspecto, e em um segundo momento ferindo o próprio atacante que acaba por admitir que a corrupção nos sistemas democráticos é algo que exige um esforço específico da maquina publica para ser contido, como um mal natural no próprio processo, apesar da sua “legitimidade” e da transparência das suas prestações de conta.
Não obstante, é preciso salientar com veemência que é um tanto constrangedor ver o líder de um dos mais importantes partidos políticos do espectro nacional afirmar que a corrupção é algo inerente ao poder. Bem, sabemos que os homens não são anjos, e que se o fossem não precisariam ser governados. Mas há uma sutil diferença entre reconhecer que as as deturpações da ética prejudicam o trabalho político, e afirmar, com um sorriso que pode ser interpretado como como deboche no rosto, que as coisas são sujas mesmo e são assim porque é natural que sejam.
Esse tipo de postura, que combina perfeitamente com as posturas de diversos outros membros do poder público, poderia na verdade ser um bom argumento para a campanha do desarmamento. Para evitar que a televisão se torne um show dos horrores. Sim, pois qualquer cidadão que ao testemunhar algo assim e estando no momento a portar uma arma de fogo, teria quase que uma obrigação cívica de disparar os argumentos mais convincentes possíveis na direção da cabeça de certos parlamentares. E isso na TV, dependendo do horário, seria uma imagem imprópria para crianças e pessoas sensíveis.
1 - “Kevlar” é uma marca registada da DuPont. Trata-se de uma fibra sintética feita de polímero resistente ao calor e sete vezes mais resistente que o aço, usado na fabricação de coletes à prova de bala.