terça-feira, 27 de setembro de 2011

Entre o Óleo de Peroba e o Kevlar¹


O presidente nacional do PMDB, Senador Valdir Raupp (RO), afirmou semana passada (no dia 22 de setembro) durante o lançamento da pré-candidatura do Deputado Federal, Marllos Sampaio à prefeitura de Teresina nas eleições de 2012, que a corrupção é "inerente ao poder e a democracia".

Nas palavras dele: "A corrupção, infelizmente, envolve ministros no Japão, nos Estados Unidos, na Inglaterra, Portugal e Espanha, e no Brasil como se vive uma democracia não seria diferente. Isso acontece". (…) "Quero dizer que a corrupção é inerente ao poder e a democracia, porque existem países em que a corrupção não aparece por que não é apurada. E aqui, se apura com rigor."

O homem que no mesmo discurso também defendeu os ex-ministros do Turismo Pedro Novais e da Agricultura Wagner Rossi, que foram exonerados do governo Dilma após denúncias de corrupção, dizendo que não há provas contra eles, pode ter deixado escapar algo que muitas pessoas gostariam de dizer a plenos pulmões mas não o fazem por medo dos inquisidores que estão sempre atentos prontos a incinerar os hereges que ousem questionar a puríssima e intocável democracia. Seria o Presidente nacional do PMDB um anti-democrata? É impossível afirmar. Ao mesmo tempo que também é impossível se utilizar da sua postura como embasamento para qualquer idéia, visto que no mesmo discurso ele não apenas recua no ataque que fez, como na sequencia ainda utiliza o espaço para sair em defesa de alguns representantes políticos de caráter duvidoso.

Bastante curioso o argumento que utiliza para se defender de algum rótulo que possa vir a receber por sua crítica, que por coincidência ou não, é um argumento bastante comum utilizado pelos inquisidores: o de que nos governos não democráticos a corrupção somente não é visível por não haver investigação do estado para si mesmo. Argumento esse que se torna uma faca de dois gumes, em um primeiro momento servindo ao seu propósito de ataque, dizendo que que os governos autoritários são tão corruptos quanto os democráticos (sem dados para serem citados) e rebatendo assim a argumentação contra a democracia nesse aspecto, e em um segundo momento ferindo o próprio atacante que acaba por admitir que a corrupção nos sistemas democráticos é algo que exige um esforço específico da maquina publica para ser contido, como um mal natural no próprio processo, apesar da sua “legitimidade” e da transparência das suas prestações de conta.

Não obstante, é preciso salientar com veemência que é um tanto constrangedor ver o líder de um dos mais importantes partidos políticos do espectro nacional afirmar que a corrupção é algo inerente ao poder. Bem, sabemos que os homens não são anjos, e que se o fossem não precisariam ser governados. Mas há uma sutil diferença entre reconhecer que as as deturpações da ética prejudicam o trabalho político, e afirmar, com um sorriso que pode ser interpretado como como deboche no rosto, que as coisas são sujas mesmo e são assim porque é natural que sejam.

Esse tipo de postura, que combina perfeitamente com as posturas de diversos outros membros do poder público, poderia na verdade ser um bom argumento para a campanha do desarmamento. Para evitar que a televisão se torne um show dos horrores. Sim, pois qualquer cidadão que ao testemunhar algo assim e estando no momento a portar uma arma de fogo, teria quase que uma obrigação cívica de disparar os argumentos mais convincentes possíveis na direção da cabeça de certos parlamentares. E isso na TV, dependendo do horário, seria uma imagem imprópria para crianças e pessoas sensíveis.


1 - “Kevlar” é uma marca registada da DuPont. Trata-se de uma fibra sintética feita de polímero resistente ao calor e sete vezes mais resistente que o aço, usado na fabricação de coletes à prova de bala.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Dou Uns Tiro Mas Não Atiro


A alguns dias começaram a circular pela internet alguns vídeos bem simples, onde artistas muito populares ligados à Rede Globo se manifestam no sentido de convencer as pessoas à entregarem suas armas à campanha do desarmamento. O primeiro vídeo dessa nova investida desarmamentista começou bem, estrelando com o loiro de olhos azuis Fábio Assunção, que deu um tempo na carreira para prestar um sincero depoimento pedindo para que as pessoas entreguem suas armas pelo bem das crianças(!). 

Todo ano a política nacional de segurança pública apresenta a mesma brilhante solução para todos os problemas do universo: o desarmamento.

Quando o desarmamento foi importado para o Brasil pelas mãos do então Presidente da República, senhor Fernando Henrique Cardoso, foi apresentado à população como a cura para todos os males. Resolveria todos os problemas de criminalidade, acabaria com os homicídios, e o Brasil erradicaria todos os absurdos causados por armas de fogo de uma só vez. 

Não é minha intenção entrar aqui no mérito sobre a eficácia ou inutilidade do desarmamento, mas apenas opinar sobre o trabalho assustadoramente anti-ético feito pelos seus defensores no Brasil. 

Em 1997, o porte ilegal de arma, até então uma simples contravenção, foi transformado em crime. As exigências burocráticas para compra e porte de armas de fogo foram severamente ampliadas de forma a dificultar ao extremo a sua aquisição, e, no mesmo ano foi criado o SINARM (Sistema Nacional de Armas), que prometia centralizar os dados de todos os registro de armas do país.

Os anos passaram, e absolutamente nenhum efeito foi sentido nos índices do crime no Brasil. Aliás, muito pelo contrário, a criminalidade cresceu absurda e assustadoramente ao ponto que nosso país atingiu a inacreditável marca de 50 mil homicídios por ano.

Em 2003, se criou a lei 10.826. O famigerado “Estatuto do Desarmamento”. Aprovado, diga-se de passagem, em época de “mensalão”, sob um falso clamor popular (como ficaria provado em 2005 quando o povo esmagou as más intenções dos líderes votando “não” no referendo mais arbitrário e tendencioso da história), o  porte de armas foi terminantemente proibido e a simples compra de um revólver calibre .22 se tornou um extraordinário exercício de paciência para vencer a burocracia imposta. Para a população mais pobre o direito acabou, uma vez que os custos e as exigências são agora uma barreira intransponível para quase a totalidade dos Brasileiros.

No referendo de 2005, um debate unilateral tomou conta do país, e ficou claro como agiriam os desarmamentistas para conseguirem seu intento, mudando seus argumentos como quem troca de roupa a cada vez que fossem derrotados. Culminando no discurso do então Ministro da Justiça, Thomas Bastos, onde admitia que o desarmamento não tiraria as armas dos bandidos, fato que a oposição se apoderou e utiliza até os dias atuais como um dos seus principais argumentos.

Mesmo com o resultado inequívoco do referendo, onde o povo deixou claro que quer manter imaculado o seu direito à auto-proteção, o governo não desistiu de seu intento de impossibilitar que o cidadão tenha uma arma para sua defesa. Vieram então as campanhas “voluntárias” de entrega de armas. Criou-se nas mídias outro discurso fraudulento e malicioso: A entrega de armas impossibilitaria que caíssem nas mãos dos bandidos.

A contra argumentação para esse absurdo foi rápida e certeira: se o governo diz que o cidadão não deve ter uma arma para que a mesma não seja roubada, ele assina sua incapacidade em fazer cumprir a lei, em proteger o cidadão. Além disso, qual garantia o Estado dá que os criminosos não continuariam a se abastecer no contrabando? Nenhuma. Nossas fronteiras são território livre para o comércio ilegal de armas e munições, que chegam a fazer tele-entrega, entregando em casa, em todo território nacional depois de um simples telefonema.

Recentemente os adeptos do desarmamento, ou melhor, do convencimento, se viram alimentados pelas palavras do Senador José Sarney, que se aproveitando de uma das tragédias mais graves que nosso país já testemunhou, chamado pela mídia de “O Massacre de Realengo” , para trazer novamente essa discussão à pauta, baseando-se em um argumento plenamente emocional: acidentes com crianças. O que rapidamente, apesar das limitações econômicas, foi demonstrado pelos movimentos contrários, baseados em dados e pesquisa, como uma estratégia ineficaz para impedir esses tristes episódios, que em sua maioria envolvem armas ilegais. Mas o estrago já estava feito, esse episódio passou a ser  o novissimo argumento desarmamentista da semana, amplamente utilizado em vídeos de fundo branco, com artistas populares vestidos de branco, algumas vezes até com as narinas brancas, nos dizendo que as pobres criancinhas estão morrendo de medo de serem baleadas por armas legalizadas.

Fica a pergunta: Se desarmamento não combate o crime, não diminuiu homicídios, não desarma os criminosos e não garante que acidentes deixem de acontecer, qual será a próxima desculpa esfarrapada elaborada pelos defensores do desarmamento? Que tal a verdade hein cambada?