quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Bicho Papão é Destro?


Anders Behring Breivik - Getty Images

Semana passada Anders Behring Breivik, réu confesso dos atentados ocorridos em 22 de julho deste ano na Noruega, onde ele assassinou 77 pessoas, concedeu uma polêmica entrevista de dentro da prisão ao Jornal VG, de OSLO, onde afirmou que no dia dos atentados, o carro-bomba que preparou tinha originalmente a intenção de derrubar o edifício inteiro da sede do governo da Noruega para matar do primeiro-ministro do país, Jens Stoltenberg, além da ex-premiê Gro Harlem Brundtland, o titular das Relações Exteriores, Jonas Gahr Store, e o presidente da juventude social-democrata (AUF) Eskil Pedersen, aos quais chamou de "traidores de classe A", mas a explosão causada por ele, que matou oito pessoas, não conseguiu atingir o objetivo. Na mesma entrevista, Breivik afirmou que foi só após fracassar nessa “missão” que decidiu ir à ilha de Utoya, onde matou a tiros 69 jovens que estavam acampados em um evento da juventude social-democrata.

O jovem bem sucedido nos negócios, que outrora fora adjetivado positivamente por muitas pessoas, hoje recebe um tratamento oposto, sendo considerado um monstro tenebroso por boa parte do mundo. Digo “boa parte” porque mesmo sendo um assassino brutal, Breivik possui admiradores.

As declarações dele ao jornal surpreendem pelo desdém com que trata o fato de ter executado friamente quase 80 pessoas em um único dia, colocando o massacre dos estudantes como uma espécie de “prêmio de consolação” por não ter atingido o objetivo principal. E tudo indica, a julgar pelos detalhes que envolvem o caso, que mesmo que tenha sido uma espécie de “plano B”, o assassinato dos jovens foi muito bem arquitetado e calculado, em uma notável lógica perversa de obtenção de sucesso a qualquer custo.

Essa postura fria e ausente de empatia é geralmente vista em pessoas com distúrbios de personalidade graves, como os sociopatas, os maníacos e os assassinos em série, mas, a contragosto do senso comum e da imprensa, seria realmente coerente afirmar que esse homem é um louco? A pergunta parece ridícula em um primeiro momento, mas se levarmos em conta que a menos de um semestre Breivik era um cidadão exemplar em todos os contextos sociais da sua comunidade, sendo um jovem bem apessoado de 32 anos muito bem sucedido nos negócios, cristão, com uma rotina saudável de exercícios, atuante no cenário político, formador de opinião e bem humorado na maior parte do tempo, será que o argumento de que ele é insano se sustenta?

A resposta é difícil de ser definida ao passo que entende-se por “louco” uma pessoa que vive em um mundo diferenciado dos demais seres humanos. Com conceitos distorcidos e deformados em suas impressões de mundo, e que age segundo suas próprias regras, sejam elas ordenadas conscientemente por si mesmo ou por alguma entidade externa fruto de seu delírio. E essa descrição não se encaixa em Anders Breivik, que tem uma vida correta segundo os conceitos de sua comunidade, mas sem ser correta demais como esperam alguns fãs do assassino que o querem ver como uma pessoa perfeita. 

Ele era uma pessoa normal até um dia antes do atentado, e agora, foi promovido a lunático após um fato absolutamente isolado de sua vida. E tanto antes quanto depois de seu pretenso “surto psicótico” ele continua apresentando uma leitura fria, calculista e cruel dos acontecimentos, mas todas inegavelmente reais.

Os motivos que ele apresenta para justificar sua atitude, apesar de pesadamente carregados de passionalidade e preconceitos, existem realmente. Não são delírios de uma mente perturbada mas uma constatação de fatos reais seguida de um julgamento pessoal.

Não, Breivik não é louco. 

É um fanático, cruel e perverso sim, mas louco ele não é. Ele sabia o que estava fazendo, e continua consciente do que fez. E a frieza em seu depoimento apenas demonstra a certeza que ele tem sobre suas convicções ideológicas, onde ele se isenta de culpa.

Chamá-lo de louco é simplificar perigosamente o que ele representa. É afastar a possibilidade dele não ser o único militante de suas idéias racistas que considere o homicídio em massa uma opção para atingir seus fins.

Notoriamente extremista em suas crenças, esse norueguês carrega consigo além de adjetivos figurados a respeito do desrespeito pela vida dos seus opositores, a pecha de ser um militante da direita conservadora européia, sendo popularmente nomeado como “ultradireitista” ou “de extrema direita” pelos jornais. O que serve tanto para buscar uma maior justificativa para sua suposta loucura, quanto para tentar agredir os movimentos legítimos da direita na Europa, que encontram-se em uma fase de popularidade bastante crescente.

É preciso fazer uma leitura critica dos fatos para não se entrar em contradição, uma vez que a maior parte dos argumentos levantados pelo senso comum e pela imprensa mundial não são capazes de se sustentar em uma avaliação pontual.

Breivik é inegavelmente um assassino frio com motivação racista de altíssima periculosidade, e as razões dele para os crimes que cometeu são realmente de origem ideológica. Mas, ele não deixa de ser considerado um membro da elite européia, e apesar das ideologias dele serem condizentes com as propostas dos partidos de direita, ele não é nada além de um cidadão comum na esfera partidária.

A busca por encontrar uma razão demoníaca para as atitudes dele, culpando algo pretensamente maior do que a simples vontade, de forma quase metafísica, não corresponde com a realidade dos fatos. Tratando-se claramente de um processo de desmoralização absolutamente inconseqüente da ideologia conservadora, ao tempo que o absolve por seus crimes por ser ele um homem na verdade doente, que só fez o que fez devido à combinação explosiva entre a sua patologia mental e a ideologia maléfica defendida pelos conservadores.

Nem Breivik é doente mental, e nem o conservadorismo e a direita são peçonhentos.

E isso precisa ser trazido ao debate quando se fala nesse caso, onde um homem, que pode ser parte de um grupo, tomou uma atitude absurdamente violenta para declarar sua indignação em relação sua visão do cenário político-social, e a preocupação não deve ficar concentrada em estereótipos pejorativos e interesses escusos de manipulação da opinião pública, uma vez que notadamente essa postura ridícula e sem base pode mascarar o verdadeiro mal por traz do acontecido e gerar ainda mais violência nos dias vindouros.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Entre o Óleo de Peroba e o Kevlar¹


O presidente nacional do PMDB, Senador Valdir Raupp (RO), afirmou semana passada (no dia 22 de setembro) durante o lançamento da pré-candidatura do Deputado Federal, Marllos Sampaio à prefeitura de Teresina nas eleições de 2012, que a corrupção é "inerente ao poder e a democracia".

Nas palavras dele: "A corrupção, infelizmente, envolve ministros no Japão, nos Estados Unidos, na Inglaterra, Portugal e Espanha, e no Brasil como se vive uma democracia não seria diferente. Isso acontece". (…) "Quero dizer que a corrupção é inerente ao poder e a democracia, porque existem países em que a corrupção não aparece por que não é apurada. E aqui, se apura com rigor."

O homem que no mesmo discurso também defendeu os ex-ministros do Turismo Pedro Novais e da Agricultura Wagner Rossi, que foram exonerados do governo Dilma após denúncias de corrupção, dizendo que não há provas contra eles, pode ter deixado escapar algo que muitas pessoas gostariam de dizer a plenos pulmões mas não o fazem por medo dos inquisidores que estão sempre atentos prontos a incinerar os hereges que ousem questionar a puríssima e intocável democracia. Seria o Presidente nacional do PMDB um anti-democrata? É impossível afirmar. Ao mesmo tempo que também é impossível se utilizar da sua postura como embasamento para qualquer idéia, visto que no mesmo discurso ele não apenas recua no ataque que fez, como na sequencia ainda utiliza o espaço para sair em defesa de alguns representantes políticos de caráter duvidoso.

Bastante curioso o argumento que utiliza para se defender de algum rótulo que possa vir a receber por sua crítica, que por coincidência ou não, é um argumento bastante comum utilizado pelos inquisidores: o de que nos governos não democráticos a corrupção somente não é visível por não haver investigação do estado para si mesmo. Argumento esse que se torna uma faca de dois gumes, em um primeiro momento servindo ao seu propósito de ataque, dizendo que que os governos autoritários são tão corruptos quanto os democráticos (sem dados para serem citados) e rebatendo assim a argumentação contra a democracia nesse aspecto, e em um segundo momento ferindo o próprio atacante que acaba por admitir que a corrupção nos sistemas democráticos é algo que exige um esforço específico da maquina publica para ser contido, como um mal natural no próprio processo, apesar da sua “legitimidade” e da transparência das suas prestações de conta.

Não obstante, é preciso salientar com veemência que é um tanto constrangedor ver o líder de um dos mais importantes partidos políticos do espectro nacional afirmar que a corrupção é algo inerente ao poder. Bem, sabemos que os homens não são anjos, e que se o fossem não precisariam ser governados. Mas há uma sutil diferença entre reconhecer que as as deturpações da ética prejudicam o trabalho político, e afirmar, com um sorriso que pode ser interpretado como como deboche no rosto, que as coisas são sujas mesmo e são assim porque é natural que sejam.

Esse tipo de postura, que combina perfeitamente com as posturas de diversos outros membros do poder público, poderia na verdade ser um bom argumento para a campanha do desarmamento. Para evitar que a televisão se torne um show dos horrores. Sim, pois qualquer cidadão que ao testemunhar algo assim e estando no momento a portar uma arma de fogo, teria quase que uma obrigação cívica de disparar os argumentos mais convincentes possíveis na direção da cabeça de certos parlamentares. E isso na TV, dependendo do horário, seria uma imagem imprópria para crianças e pessoas sensíveis.


1 - “Kevlar” é uma marca registada da DuPont. Trata-se de uma fibra sintética feita de polímero resistente ao calor e sete vezes mais resistente que o aço, usado na fabricação de coletes à prova de bala.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Dou Uns Tiro Mas Não Atiro


A alguns dias começaram a circular pela internet alguns vídeos bem simples, onde artistas muito populares ligados à Rede Globo se manifestam no sentido de convencer as pessoas à entregarem suas armas à campanha do desarmamento. O primeiro vídeo dessa nova investida desarmamentista começou bem, estrelando com o loiro de olhos azuis Fábio Assunção, que deu um tempo na carreira para prestar um sincero depoimento pedindo para que as pessoas entreguem suas armas pelo bem das crianças(!). 

Todo ano a política nacional de segurança pública apresenta a mesma brilhante solução para todos os problemas do universo: o desarmamento.

Quando o desarmamento foi importado para o Brasil pelas mãos do então Presidente da República, senhor Fernando Henrique Cardoso, foi apresentado à população como a cura para todos os males. Resolveria todos os problemas de criminalidade, acabaria com os homicídios, e o Brasil erradicaria todos os absurdos causados por armas de fogo de uma só vez. 

Não é minha intenção entrar aqui no mérito sobre a eficácia ou inutilidade do desarmamento, mas apenas opinar sobre o trabalho assustadoramente anti-ético feito pelos seus defensores no Brasil. 

Em 1997, o porte ilegal de arma, até então uma simples contravenção, foi transformado em crime. As exigências burocráticas para compra e porte de armas de fogo foram severamente ampliadas de forma a dificultar ao extremo a sua aquisição, e, no mesmo ano foi criado o SINARM (Sistema Nacional de Armas), que prometia centralizar os dados de todos os registro de armas do país.

Os anos passaram, e absolutamente nenhum efeito foi sentido nos índices do crime no Brasil. Aliás, muito pelo contrário, a criminalidade cresceu absurda e assustadoramente ao ponto que nosso país atingiu a inacreditável marca de 50 mil homicídios por ano.

Em 2003, se criou a lei 10.826. O famigerado “Estatuto do Desarmamento”. Aprovado, diga-se de passagem, em época de “mensalão”, sob um falso clamor popular (como ficaria provado em 2005 quando o povo esmagou as más intenções dos líderes votando “não” no referendo mais arbitrário e tendencioso da história), o  porte de armas foi terminantemente proibido e a simples compra de um revólver calibre .22 se tornou um extraordinário exercício de paciência para vencer a burocracia imposta. Para a população mais pobre o direito acabou, uma vez que os custos e as exigências são agora uma barreira intransponível para quase a totalidade dos Brasileiros.

No referendo de 2005, um debate unilateral tomou conta do país, e ficou claro como agiriam os desarmamentistas para conseguirem seu intento, mudando seus argumentos como quem troca de roupa a cada vez que fossem derrotados. Culminando no discurso do então Ministro da Justiça, Thomas Bastos, onde admitia que o desarmamento não tiraria as armas dos bandidos, fato que a oposição se apoderou e utiliza até os dias atuais como um dos seus principais argumentos.

Mesmo com o resultado inequívoco do referendo, onde o povo deixou claro que quer manter imaculado o seu direito à auto-proteção, o governo não desistiu de seu intento de impossibilitar que o cidadão tenha uma arma para sua defesa. Vieram então as campanhas “voluntárias” de entrega de armas. Criou-se nas mídias outro discurso fraudulento e malicioso: A entrega de armas impossibilitaria que caíssem nas mãos dos bandidos.

A contra argumentação para esse absurdo foi rápida e certeira: se o governo diz que o cidadão não deve ter uma arma para que a mesma não seja roubada, ele assina sua incapacidade em fazer cumprir a lei, em proteger o cidadão. Além disso, qual garantia o Estado dá que os criminosos não continuariam a se abastecer no contrabando? Nenhuma. Nossas fronteiras são território livre para o comércio ilegal de armas e munições, que chegam a fazer tele-entrega, entregando em casa, em todo território nacional depois de um simples telefonema.

Recentemente os adeptos do desarmamento, ou melhor, do convencimento, se viram alimentados pelas palavras do Senador José Sarney, que se aproveitando de uma das tragédias mais graves que nosso país já testemunhou, chamado pela mídia de “O Massacre de Realengo” , para trazer novamente essa discussão à pauta, baseando-se em um argumento plenamente emocional: acidentes com crianças. O que rapidamente, apesar das limitações econômicas, foi demonstrado pelos movimentos contrários, baseados em dados e pesquisa, como uma estratégia ineficaz para impedir esses tristes episódios, que em sua maioria envolvem armas ilegais. Mas o estrago já estava feito, esse episódio passou a ser  o novissimo argumento desarmamentista da semana, amplamente utilizado em vídeos de fundo branco, com artistas populares vestidos de branco, algumas vezes até com as narinas brancas, nos dizendo que as pobres criancinhas estão morrendo de medo de serem baleadas por armas legalizadas.

Fica a pergunta: Se desarmamento não combate o crime, não diminuiu homicídios, não desarma os criminosos e não garante que acidentes deixem de acontecer, qual será a próxima desculpa esfarrapada elaborada pelos defensores do desarmamento? Que tal a verdade hein cambada?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Seção Personalidades Estranhas - Bóris Iéltsin

Que Bóris Iéltsin foi um político russo que inseriu o capitalismo na Rússia e perdeu alguns dedos brincando com granadas na juventude, todo mundo sabe. Que o cara estava envolvido em escândalos e em altos casos de corrupção, todo mundo sabe. Que ele vivia bêbado e aprontando mil e uma peripécias pelo mundo todo mundo também sabe. E é por isso que nosso querido amigo de copo, amado por muitos levantadores de copos do planeta inteiro, é nossa personalidade estranha do momento.

Bóris Iéltsin

Não quero entrar no mérito político de tão mal falado homem. Não estou aqui pra julgar nem dar minha opinião sobre seus atos de governo ou suas escolhas políticas. Mas quero sim prestar uma homenagem ao pai da bebedeira russa, cuja personalidade, se fosse privada de nosso mundo, não nos permitiria dar tantas gargalhadas e ficar tão escandalizados com tantos vídeos bizarros vindo daquele país frio onde só tem louco e bebum.

Vodka russa

A bebida favorita de Bóris era a vodka, e sua preferida era a Stolichnaya, mas também gostava de tomar outras 42 marcas fabricadas na Rússia, gosto esse que permanecerá eternamente associado á sua imagem. Durante seu governo, que trouxe a Rússia ao mundo capitalista (em depreciação do socialismo), Iéltsin batalhou para que a indústria da vodka no país fosse liberta das restrições da distribuição mantidas pelo Estado, fazendo com que um número de indústrias da bebida razoavelmente grande ganhasse espaço no país. Alguns dos efeitos colaterais desse liberê geral foram que muita gente morreu por conta de vodkas de péssima qualidade e os problemas de alcoolismo que cresciam de forma assustadora, ameaçando até mesmo a economia do país. Com tudo isso, a regulamentação da bebida voltou, o que não impediu o mercado de vodka barata de aumentar. O país decretou estado de emergência em várias cidades devido á falta de capacidade dos hospitais de lidarem com a grande quantidade de indivíduos que consumiram vodka contaminada.

Há uma estimativa de que cerca de 42 mil russos morrem POR ANO em consequência da embriaguez de vodka barata (!!!! - isso corresponde à 116 mortes diárias, 5 mortes a cada hora), o que cria uma crescente preocupação no governo, afinal, com isso há uma estimativa de que até 2050 o país perca cerca de um terço de toda sua população (visto os problemas relacionados à natividade que colabora pra isso).

Mas voltando ao homem...

Iéltsin nunca escondeu seu problema crônico relacionado ao alcoolismo. Pelo contrário, era comum vê-lo aprontando das suas, seja dançando, seja caindo, seja bebendo. Em sua biografia também não esconde o jogo, diz que muitas vezes agiu sob influência do álcool no seu governo.

"Percebi que o álcool era a única maneira de aliviar o stress."

Outra cena muito comum era vê-lo cochilando em reuniões.

"Alguns dizem que a vodka atualmente é barata demais e que devíamos aumentar os preços. Mas eu ainda não tive coragem para isso. As pessoas têm sentimentos especiais por esta bebida. Elas não ligam de tomar um ou dois tragos depois do trabalho. Então não tenho pressa em aumentar os preços.”

Alguns fatos históricos

- 1989: teve que explicar ao Soviete Supremo o motivo de ter entrado numa delegacia em Moscou todo molhado e só de cueca;
- 1992: tocou colher (um instrumento musical russo) na cabeça de Askar Askayev, presidente da Quirguízia;
- 1994: em uma viagem de barco descendo o rio Volga, pediu a seus guarda-costas que atirassem seu porta voz na água. No mesmo ano, durante um desfile militar, pegou a batuta do líder da banda e tentou reger a orquestra. Depois, no mesmo dia, numa recepção, pegou um microfone e começou a cantar;
- Ainda em 1994, ao ser recebido pelo primeiro-ministro da Irlanda no aeroporto de Shannon, se recusou a sair do avião (provavelmente bêbado);
- 1995: flagrado beliscando a bunda de sua secretária numa reunião com correspondentes estrangeiros;
- 1996: dançou rock num comício, que rendeu muitas fotos engraçadas que abrilhantam o post;
- 1997: declarou, na Suécia, que iria reduzir o arsenal nuclear russo e buscar uma proibição mundial. Seu porta-voz depois disse pra não serem levadas a sério suas declarações;
- Existe um campeonato na Rússia chamado "Boris Yeltsin Cup". Não se trata de campeonato de vodka, mas sim de um campeonato de tênis, por incrível que possa parecer.

Alguns fatos também geraram polêmicas mas se desconfia que não passam de boatos. Por exemplo, Bill Clinton em seu livro de memórias, afirma que certa vez Iéltsin foi encontrado perto da Casa Branca de cueca, na madrugada, bêbado e procurando uma pizza, durante uma visita à Washington.






Morte

Bóris Iéltsin faleceu aos 76 anos. Desta vez, quando caiu, caiu pra não mais levantar.

*Agradeço meu colega Paulo por ter comentado sobre esta personalidade estranha e ter me dado à idéia de escrever sobre ele.



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Batalha de Titãs


(ou para que falar de filosofia hoje?)

Em poética prosa

Olhamos para todos os lados e vemos somente um corredor escuro e estreito. Um pouco baixo e um pouco torto para um corredor de apartamento normal... Normal: palavra estranha atualmente. Mas, este corredor não é somente um corredor, é um túnel cavado para fugir da prisão. Uma leve iridescência paira prisioneira e se espalha pelas paredes desse corredor. Nem dia ou noite muda essa atmosfera regada por uma lâmpada fraca, mortiça e triste.
Nosso mundo está nesse corredor. Claro, existe uma janelinha protegida por venezianas de metal. Nela tentamos desesperadamente vislumbrar alguma coisa através das frestas. Talvez uma paisagem que se estenda além do oriente. Mesmo com muito esforço, mal avistamos um cipreste poeirento e um muro de pedras irregulares. Onde agoniza um mísero raio de sol, um pálido crisântemo se exprime tal como um viajante com sede vindo do deserto. Uma caixa de leite cortada no cimo servindo de vaso.
Pode esta cena lembrar o mundo desencantado em que vivemos hoje? Se as palavras acima ressoam uma voz de amor e trevas amóziana, não é mera coincidência. Se um filósofo há 2500 anos deu as bases de nosso mundo, outro desferiu um golpe tão profundo que estamos perdidos... Ou sempre estivemos, mas não reconhecíamos. A falta de sentido no que vemos ocorrer a nossa volta todos os dias (terrorismos, pedofilias, misérias extremas – material e espiritual –, hipocrisia do escárnio etc) é o lembrete incômodo de que as asas negras tocarão a todos sem exceção, sem motivo, sem direção; mesmo com os novos “sinais de sangue” tecnológicos, saberemos o gosto do sal do deserto, porque todo sentido foi perdido.
...
Em prosa poética

Falemos claramente: o “instinto” estava fadado a ser banido do projeto cultural de toda a Civilização Ocidental nos próximos 2500 anos quando uma grande aberração nasceu no mundo: Sócrates. É assim que se passa a ver este grego se evisceramos os olhos de Friedrich Nietzsche e pomo-los no lugar dos nossos próprios.
“Como assim, só por instinto?”, brada o filósofo alemão contra Sócrates, para quem uma ação motivada “apenas” por instinto não poderia ser considerada válida. Segundo Sócrates, o único fundamento aceitável para nossas ações, e para a vida em geral é a racionalidade. Diante da assertiva do pensador grego, Nietzsche sentencia, em O Nascimento da Tragédia (1871), que esse é o início do fim: a máxima socrática decreta o declínio da civilização ocidental, quando passamos a ser orientados a duvidar do nosso instinto, a ignorar nossa intuição e a conter os sentimentos em função da razão.
O instinto, conforme Nietzsche, é o que nos vincula às forças telúricas, no momento em que passamos a não mais segui-lo nos distanciamos da natureza, vamos deixando de comungar do arrebatamento e do êxtase provocados pelo encontro entre a Terra e seus discípulos (era esse estado que o teatro trágico da Grécia pré-socrática representava). Tais manifestações da comunhão entre natureza e ser, antes vivenciadas em tudo aquilo que portavam de mais belo, terrível e intenso, passam a se mostrar estranhas, desconhecidas, porque são agora exteriores ao ser. Surge então o medo, e quem tem medo demanda controle, e eis que testemunhamos a origem do esforço amedrontado em domar a natureza, nos fala Nietzsche.
Reduzimos o existir a medir, quantificar, analisar, racionalizar, teorizar, modelar, sistematizar... Os mestres da crise humana: Sócrates, Aristóteles, Bacon, Descartes... A “modernidade” se instala triunfalmente: somos Homo Sapiens ou Mono¹ Sapiens? Diz Nietzsche que é aqui chegamos. Onde o senso comum vê evolução, o filósofo alemão vê crepúsculo.
O homem moderno é um ser que tem medo da vida: para ele, existir, é algo ameaçador. Ao seu espírito abandonado pelas forças naturais, ao seu corpo órfão do instinto que lhe guiava, só resta lutar pela sobrevivência: nesta batalha de titãs nem Darwin escapa aos martelos de Thor de Nietzsche, em Crepúsculo dos Ídolos (1888). Diz o filósofo que o evolucionista é o porta-voz da pequenez do homem moderno... Somente para os pequenos de espírito é que faz sentido “sobreviver” - na natureza os seres se afirmam, os seres vivem! A natureza é abundância, a natureza é excesso, a natureza é prodigalidade.
Para que falar de filosofia hoje? Não existem mais grandes sistemas filosóficos, nem certezas absolutas, verdades últimas, a história não teve um fim, as grandes utopias agora podem ser compradas no shopping: as bases em que nosso mundo se ergueu estão em ruínas. Então é tempo de cartografar, à moda Deleuze, novos caminhos... Sem poesia e sem filosofia? É justamente por essa falta que caminhamos sobre escombros, tumbas de antigos deuses ainda vivificados em simulacro por nosso apego à velhas reminiscências.
Para que falar de filosofia hoje? Mudemos a pergunta: há ainda que se perguntar para que ela serve? Ou você está se lamentando ou caminhando sobre túmulos de deuses moribundos.

¹ Mono: nombre genérico con que se designa a cualquiera de los animales del suborden de los Simios. Diccionario de La Lengua Española, 23ª ed. Real Academia Española.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Solta o Verbo: Rachel Sheherazade

Dando continuidade à campanha contra a imbecilidade do politicamente correto (veja o começo de tudo clicando aqui e aqui), hoje apresentarei a quem por ventura ainda não conhece, uma pessoa surpreendente. A jovem, talentosa e belíssima jornalista que não tem papas na língua: Rachel Sheherazade.


Conheci seu trabalho ainda esse ano, 2011, quando navegando pela internet acabei por encontrar um video em que ela comentava sobre a sua opinião a respeito do carnaval. Dali em diante, tenho tentado acompanhar cada palavra que ela diz, não apenas motivado pela massagem que palavras bem colocadas fazem nos assuntos em que minha opinião é semelhante à dela, mas em todos os outros também, uma vez que ela não fala abobrinhas, como um sem-número de jornalistas irresponsáveis que ocupam posições de destaque no nosso país. Rachel é diferente, minhas amigas e meus amigos, ela não se prende ao que manda o regimento da burrice imposto pelo senso comum.
Bem, ao realizar uma breve pesquisa em busca de mais informações a respeito dessa moça que usa a linguagem como arma, logo percebi que ela é bastante jovem, e portanto, as informações que se encontra sobre “quem ela é” na internet infelizmente são bastante superficiais e incompletas. Mas é possível encontrar detalhes como por exemplo, o fato dela ter nascido em João Pessoa, capital da Paraíba, se formado em Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba, ter trabalhado na TV Correio, afiliada da Rede Record na Paraíba, na TV Cabo Branco, afiliada da Rede Globo e em 2003, ter assumido a bancada do Tambaú Notícias, telejornal diário da TV Tambaú, afiliada do SBT na Paraíba.

Atualmente, Rachel Sheherazade é âncora (juntamente com Joseval Peixoto) no telejornal “SBT Brasil”.

Visite aqui o blog dela.

Senhoras e senhores, com a palavra, Rachel Sheherazade:







terça-feira, 19 de julho de 2011

Seção Personalidades Estranhas - Ottomar Berbig

Ottomar Berbig

Ottomar Berbig foi um socialite alemão nascido em 10 de Outubro de 1940 na Berlim ocidental e que alcançou a fama através da reivindicação de pertencer à linhagem de Vlad Dracula.

Vlad III, príncipe da Valáquia, conhecido por Vlad, O Empalador (Vlad Tepes), ou como Dracula. Seu sobrenome serviu de inspiração para Bram Stoker nomear seu vampiro Conde Drácula. O sobrenome romeno de Vlad (Draculea, também escrito Drakulya) veio em referência a seu pai Vlad Dracul. Vlad Dracul foi morto pelos boiardos que se juntaram a John Hunyadi. Vlad III então fugiu e se exilou na Hungria, até retornar ao poder. Ao retornar, planejou matar os boiardos para se vingar da morte de seus pais, plano que executou com maestria, dez anos depois, num domingo de páscoa em torno de 1457, primeiramente empalando os boiardos mais velhos e famílias. Os boiardos jovens e saudáveis foram utilizados para reconstruir o castelo nas ruínas do Poienari, que se tornou sua fortaleza. Após a construção, os boiardos que haviam sobrevivido e não morreram de exaustão - já praticamente todos nus, pois trabalharam até inutilizarem suas próprias roupas - foram empalados. Outras atrocidades cometidas por Vlad nas histórias alemãs incluem além do empalamento a tortura, queima, esfolamento, corte de membros e afogamentos (além de assar ou ferver as pessoas, servindo à carne aos amigos e parentes da mesma). Esses castigos eram aplicados a ladrões, mentirosos e adúlteros. Esta foi a maneira que Vlad utilizou para manter a ordem no seu povo: ensinando-lhes que o roubo não seria tolerado em suas terras. E assim foi: puniu quem quebrou as leis, sejam homens ou mulheres, de qualquer classe social, idade ou religião.

Berbig era um padeiro em 1980 quando conheceu Ekaterina Olympia Kretzulesco, de legítima descendência consanguínea do lendário conde Vlad Dracul. Tornaram-se amigos e Ekaterina então adotou Berbig como seu filho, visto que a mesma não possuía herdeiros e queria garantir a continuidade da linhagem familiar, e estava impressionada com a aparência de Berbig, com seu cabelo preto encaracolado e bigode "transilvaniano".
Ekaterina Olympia Kretzulesco nasceu em Bucareste, em 28 de janeiro de 1893 e morreu em 26 de maio de 1993. Foi uma célebre aristocrata e filantropa romena, descendente de sangue de Vlad Dracul. Cresceu na Inglaterra e na França, e viveu na Romênia entre 1908 e 1952, quando fugiu do regime comunista, indo para os Estados Unidos, onde permaneceu por 35 anos no Texas, retornando para Bucareste após a Revolução Romena de 1989, onde morreu centenária.

Mudou seu nome então para Ottomar Rodolphe Vlad Dracula Prinz Kretzulesco, e imediatamente transformou o castelo localizado em Schenkendorf (Brandenburg) em um "museu de vampiros". Organizou as "festas dos sugadores de sangue" em conjunto com a Cruz Vermelha Alemã, na qual os convidados deveriam doar sangue, na sala de número 46. Também organizou inúmeros eventos de caridade, incluindo festivais medievais e reuniões para histórias assustadoras na "hora do fantasma". Rejeitando a tradição da família, não usava dentes postiços, porém utilizava um caixão para receber os visitantes, além de servir um schnapps com cor de sangue (Bloody Mary) e "salsichas do Drácula". Abriu um negócio de vinhos chamado "Castle of Dracula", e após uma briga com o governo alemão por conta dos altos impostos cobrados pelo mesmo, proclamou a cidade como "Principado do Dracula", dizendo que no "reino de Drácula" os impostos não passariam de 20%. Chegou mesmo a imprimir passaportes próprios, e criou planos para selos e placas de carros, mas a tentativa não obteve sucesso, tanto que o Estado, com um senso de humor incomum, ameaçou se "defender com alho" contra os objetivos de independência de Berbig.

Em 2003, Berbig, ou Rodolphe Vlad Dracula Kretzulesco, como queira, foi convidado a ser clonado pela empresa Clonaid (liderada pela seita dos Realianos) pelo valor de US$ 200 mil e negou, emitindo um comunicado á imprensa onde solicitava ás autoridades mais rigidez na proibição da clonagem, para evitar que pessoas tão loucas como o ditador Saddam Hussein fossem clonados.
Dificuldades financeiras com a burocracia local e problemas com neonazistas (Berbig foi ameaçado de morte, por 10 vezes foi atacado por incendiários e os muros do castelo de Schenkendorf foram pixados com suásticas pelo fato de Berbig ser um estrangeiro) o obrigaram a sair do palácio em 2006: "Eu quero sair daqui", disse. "Eu não quero mais viver aqui. Estou com medo. Eu quero viver em paz. Eu não consigo mais dormir à noite sem me preocupar em acordar em meio a um incêndio". Certa noite um grupo de 35 neonazistas ficaram em seu jardim cantando canções e carregando bandeiras nazistas. Eles gritavam frases anti-semitas, como "fora judeus" e "porcos judeus", o que pode indicar que o verdadeiro problema era com o castelo, propriedade de 32 hectares que pertencia a uma família judia. Em novembro de 2007 Berbig faleceu de tumor cerebral, porém deixando a linhagem dos Dráculas viva através do seu filho, Ottomar Dracula Junior, nascido no mesmo ano de sua morte.

Curiosidade: em 2000, Berbig participou, como Ottomar Rodolphe Vlad Dracula Prinz Kretzulesco, de uma faixa chamada "Mille Anni Passi Sunt", do disco de mesmo nome da banda Corvus Corax.

Corvus Corax é uma banda alemã conhecida por tocar música medieval com instrumentos autênticos. Seu nome é o nome científico do corvo. A banda foi formada em 1989 por Castus Rabensang, Win (Venustus) e Meister Selbfried. Frequentemente usa gaita de fole como instrumento solo e suas performances ao vivo atraem a atenção pela estranheza dos músicos, que se utilizam da reminiscência de antigos mitos gregos: seminus, com roupas diferentes, usando artigos estranhos como decoração, e tatuados.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Família Contemporânea – Ato I

(Considerações em dois atos)
Ato I

A família não é mais a mesma. Tempos atrás o homem era o chefe do lar, a mulher a dona de casa e os meninos deveriam receber uma educação diferente das meninas. Mas hoje isso não é mais aceito. Os papeis masculino e feminino são flexíveis e o conceito de família está sendo reconstruído. O que está em pauta são as novas formas de relacionamento entre homens e mulheres.

O cenário moderno é de um mundo confuso, com crise no conhecimento, onde existe um questionamento da dominação masculina heterossexual. Existe neste cenário uma abertura para falar de masculinidades e feminilidades, entendidas como históricas primeiramente e fragmentadas, por conseguinte.

Há um clima de confusão na família contemporânea ocidental que se começou a viver na “era pós-feminista”. O maior marco da família, quando se fala de masculinos e femininos, são as transformações que a família sofreu após o Movimento Feminista. O Movimento Feminista trouxe para a mulher a liberdade de escolha. Com a pílula anticoncepcional, a opção de ter ou não ter filhos, acabou por caber dentro da bolsa. Com o divórcio, rompe-se com a jura do amor eterno. Com a conquista do mercado de trabalho as mulheres saiam de casa. Com a revolução feminista até a biologia deixou de ser fatalidade. Ser mulher e ser homem já não é mais tão simples.

Isso trouxe uma questão importante que foi desnaturalizar o masculino e o feminino. Sempre naturalizado como sendo algo que o biológico demarcava, noutros termos, o homem é diferente da mulher por uma questão biológica. Aquela discussão que existia, a partir da década de 1920 e 1930, onde as pesquisas que se faziam eram pesquisas muito pautadas em cima de “constatações” de que o biológico dava “x” características para as mulheres e “y” características para os homens. E era exatamente assim que nas famílias se fazia.

Quando se olhava para um menino ou menina na família se esperava exatamente aquilo: que o menino fosse melhor em matemática, que a menina tivesse maior fluência verbal, que menina tinha de usar cor-de-rosa, menino tinha que usar azul – era tudo demarcado. Então, quando se olhava na família, a expectativa era já que estes comportamentos se exteriorizassem. Assim, os pais constatavam: “este é um menino”, “esta é uma menina”.

É somente a partir da década de 1950, mais ou menos, que se começa a questionar se esses comportamentos estariam no inato, ou seja, no biológico ou se esses comportamentos não surgiriam do ambiente e do social. A família não era assim, a família se torna assim após a revolução industrial. Na Revolução Industrial as mulheres trabalhavam nas fábricas; e elas deixaram esses trabalhos para ficar em casa por serem deveras mal remuneradas em relação aos homens. Então eles passaram a fazer esse papel de trabalhar fora enquanto a mulher cuidava da casa. O homem então começa a ser o provedor e a mulher se encarregar do ambiente doméstico. Com isso fica socialmente demarcado: o homem tem essas funções e as mulheres tem aquelas funções.

Parece que a vida era mais fácil assim, porque isso era quase que inquestionável. Da mesma forma que meninos eram de um jeito e meninas de outro, os homens e as mulheres tinham já seu ambiente definido. A expectativa era de que estes comportamentos se dessem dessa forma. A facilidade aqui é de não ter que se questionar, de não ter que se desacomodar de um lugar que, por mais que não seja uma maravilha, já esta definido, demarcado e claro – e como nos dá medo ter que reinventar lugares, se repensar...

Então, nós estamos vivendo um momento (que podemos chamar de confuso), de ameaça tanto das masculinidades quanto das feminilidades. Parece também um momento muito rico, que se deve olhar com muita sensibilidade e que tem desdobramentos importantes. Porque nessas transformações, vivemos várias coisas ao mesmo tempo. Se a gente sair um pouco dos ambientes que normalmente circulamos, se começa a perceber a pluralidade das famílias.

As famílias são plurais. Uma enorme proporção de famílias hoje é chefiada por mulheres e outras são chefiadas por homens. Um grande número de divórcios tem criado uma configuração às vezes difícil de entender. Existem famílias com re-casamentos, reconstituições de universos familiares, onde filhos de uns convivem com filhos de outros, onde se acaba criando uma pluralidade de culturas, de expectativas de estar em família, expectativas plurais de como se dá esses masculinos e femininos.

Estas transformações não vem isentas de problemas. Essas pluralidades ao mesmo tempo que enriquecem, também fragilizam. Não se está aqui reclamando das transformações e dizendo que no passado era melhor. Não é “passadismo”, até porque não dá mais pra voltar ao que era (e creio que nem se deva querer que volte ao que era). Mas devemos continuar a refletir essas novas configurações familiares para tentarmos encontrar esses novos lugares que agora não estão mais pré-definidos.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Flexibilização nas relações de trabalho.

Bom, estive lendo uma obra de Geraldo Augusto Pinto, sobre a atual organização do trabalho, onde o mesmo fazia menção a uma tendência cada vez mais acentuada de flexibilização nas relações de trabalho.

            Pois bem, analisando a referida obra e estando minimamente atento ao desenrolar dos fatos políticos de nossa década, posso dizer que fica evidente no Brasil a busca ostensiva por um modelo econômico cada vez mais próximo do padrão chinês, com a necessidade cada vez maior de qualificação profissional, para que os trabalhadores possam disputar arduamente salários cada vez mais baixos.

            Diz-se que o Brasil é um país rico! Concordo, mas como diria o glorioso Professor Claiton Schmidt, “É um país que produz pobreza”! Por quê?

            Vejamos, possuímos uma vasta riqueza natural, (petróleo, minerais, vegetais, água...) Enfim, tudo em abundância, e o que fazemos?

            Trabalhamos com a extração de matéria prima para a venda, ou seja, produzimos poucos e péssimos empregos, para que possamos vender a dita matéria prima por um preço ínfimo. Pagando mal nossos trabalhadores e explorando nosso país.

            Em contrapartida, vendemos nossa matéria prima a algum país naturalmente pobre, que não possui o que explorar, mas que produz riquezas, pois trabalha basicamente com a transformação da matéria prima em produtos de alta tecnologia, ou seja, cria muitos empregos e que remuneram bem. E como arcam com tais custos?

           Bem, vendendo tecnologia aos países pobres quando a mesma já está defasada para si, nos mantendo sempre retrógrados em relação a eles.

         Interessante também frisar, que as grandes multinacionais impõe um trabalho extremamente oneroso aos seus funcionários, em sedes fora de seus países, ou seja, um funcionário da Nike nos EUA trabalha cerca de 40% a menos que um funcionário da Nike no Vietnã ou na já citada China.

        Bom, o argumento que defende a flexibilização nas relações de trabalho está basicamente fundamentado na defesa da ordem econômica, com a conseqüente geração de emprego e renda.

         Todavia, já sabemos que nos contratos de vínculo empregatício, existe uma relação de hipossuficiência, onde o empregado depende jurídica e economicamente do empregador, e o pior, tal dependência é de ordem alimentar.

            Como podemos, portanto, conceber uma relação mais flexibilizada, com uma tutela cada vez menor do Estado regulando tal relação?

         Existem teorias como a de Pareto, que “medem” a realização da função social das empresas, entretanto, (ainda) o dever de cuidado e proteção aos cidadãos compete ao Estado, e empresa alguma, por mais benéfica que seja, deve ter autonomia na relação contratual independendo de lei, ou flexibilizando a mesma, pois seu fim primeiro e último é o lucro, sendo o empregado um meio para o referido fim.

         Portanto sempre que se fala em flexibilização nas relações de trabalho, se coloca perante a lei, empregado e empregador em situação de igualdade para dirimir conflitos.

 Contudo, sabemos que de fato tal igualdade não existe, e como bem versam os Protocolos dos Sábios de Sião: “A liberdade é uma idéia”, e “O direito reside na força”.  
           

De homens e mulheres

(Algumas aproximações, em quatro tempos)

Primeiro tempo

Aproximar-se sem criar dependência. Aproximar-se apesar da distância da internet. Ser feliz sem se comprometer. Fugir da solidão sem abrir mão da individualidade. Estes são os conflitos das relações afetivas dos nossos dias. No mundo contemporâneo as relações se movem com enorme fluidez, o movimento é constante. Tudo é permitido. Nós esperamos respostas imediatas. O amor se torna um produto com prazo de validade. Esse é o Amor Líquido, termo cunhado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman para descrever as relações afetivas de hoje: um mundo de infinitas possibilidades é também um mundo de constante insegurança.

Segundo tempo

Quando pensamos em duas pessoas como casal, no que liga um casal, tem algo que parece estar ameaçado – e é bom que esteja ameaçado – que é o mito do complementar. Se a gente pensa no masculino e no feminino como plural e movimento, a ideia de duas metades da laranja entra em falência. Porque essa ideia de uma junção automática, que ninguém tem que fazer nada e naturalmente tudo dá certo – parece que boa parte das pessoas que lerem este texto podem testemunhar com a própria vida – que essa ideia de junção automática não dá certo.

Não basta o desejo e o encontro para que se dê certo. Claro, acabamos jogando fora algo interessante que tinha nessa ideia romântica do casal complementar, mas que na verdade leva bastante gente à frustração. Frustração por esperar que uma imagem idealizada se conforme com o mundo da vida – quando isso não ocorre.

Na questão do casal, parece haver uma tensão. Se por um lado existem as tentativas de construção de uma relação mais igualitária, onde homem e mulher compartilham uma relação com equilíbrio de poderes (embora não se saiba muito bem como se faz isso, as coisas vão se fazendo). Por outro lado, o erotismo e a sexualidade, curiosamente, não são muito “politicamente correto”. Porque a sexualidade do casal também passa por fantasias e jogos de dominação, submissão, também passa por jogos de infantilização que são erotizados, e passa por “castigos” e “presentes”. Todo um universo do jogo de poder e da raiva, da agressividade, que estão relacionados com a expressão da sexualidade e que não estão necessariamente combinados de uma forma conjunta com a questão do casal igualitário que possa discutir a relação.

Qual é a diferença entre o masculino e o feminino? Porque, quando falamos em casal complementar, a diferença está excluída. Quando o Movimento Feminista reivindica a igualdade, a diferença está abolida nesta fala. Não é a diferença biológica que se pergunta aqui – já tão desconstruída atualmente. De fato não é a diferença aparente. Não sei exatamente qual que é a diferença entre masculino e feminino, mas é aí que circula o desejo.

Quando começa a não aparecer alguma diferença, a sexualidade quase que morre. Tem aí alguma coisa de misterioso ainda: como que a gente conquista a igualdade preservando as diferenças?

Terceiro tempo

Existe algo que ocorre no universo feminino em que a mulher espera coisas do homem. Creio que isso que ela espera circula, transita, na expectativa pelo amor romântico. Talvez não se limite nessa ideia de completude, de complementaridade, de colocar no outro a expectativa de completá-la, mas talvez uma ideia, uma espera, de se sentir desejada. De precisar confirmar que ela é desejada.

Principalmente hoje, onde tudo é retificado, restaurado. Vivemos no mundo das plásticas, da eterna juventude, as mulheres tem que cuidar muito bem do seu corpo, da sua pele... Essas mulheres que tem filhos e o peito caiu; tem filhos e vão fazer uma lipoaspiração. É na ilusão que essas coisas vão trazer pra ela essa confirmação do desejo. Talvez faça essas coisas exatamente porque não saiba mais onde está o desejo. Então, essa circulação de pensar no desejo, malfada expectativa de ter de volta com a plástica a desejabilidade de si pelo homem. Ora, quantas histórias já ouvimos de mulheres que se plastificaram e, mesmo ficando maravilhosas, seus maridos já não as desejavam mais? Quer dizer que não passa por aí o desejo – é outra coisa.

Há também a questão de que muitos homens chegam à família muito inexperientes – neófitos – recém saídos de suas mães. É como se eles somente mudassem de casa. Sai do colo da mãe e vai para outros braços, chegando nesse novo aconchego. E as mulheres estão muito felizes em fazer isso: acolher em seus braços um homem que queira a proteção deste aconchego. Então muitas mulheres “ajudam” a criar filhos mal saídos de suas mães; e muitos homens, bem criados por suas mulheres, vão embora – estão prontos para ir embora: para os braços de outra mulher.

Quarto tempo

Nós homens somos novos com relação a se tematizar. Tematizar o homem enquanto ser da relação homem-mulher. É como se discutir essas questões, ter que lidar com isso, é constatar uma perda de poder. Porque a ideia de não precisar discutir significa estar superior a estas questões. Só que enquanto alguns homens estão se colocando como superiores a essas questões, essas questões estão se dando e as coisas estão mudando.

No inicio da década de 1980 a questão do feminismo era muito evidente e os jovens homens se sentiam acuados. O adolescente queria seguir os grandes modelos masculinos e depois na vida adulta eles não sabiam o que fazer com as moças. Não só não se sabia o que fazer com elas como não podia perguntar. Ao menos hoje se pode perguntar – continua-se não se sabendo, mas pode perguntar. A ideia de que se tem que saber automaticamente “o que fazer” talvez tenha ficado menos forte: um sinal de flexibilização.

Se pensarmos que o que se está falando é na verdade que o homem nunca havia tematizado nada, não havia se tematizado, pouca coisa mudou. É dizer, o homem nunca tinha se pensado como homem – éramos sempre aquilo que é evidente: todos sabem o que é ‘homem’, seu papel e função na família. Esse “todos sabem” é justamente a negação de se tematizar. Ora, nós éramos tão auto-suficientes que nos restava apenas reclamar um pouco desse avanço que as mulheres estavam exercitando naquela época.

A impressão é que até hoje os homens se tematizam muito pouco. As mulheres conversam muito mais sobre sua condição do que os homens. Talvez é por estar ainda delegado às mulheres conversarem sobre o universo dos filhos, como se isso não fosse ainda um universo que os homens pudessem compartilhar. Como se fosse ainda um universo feminino e os homens ficassem “livres” deste universo, do universo das relações.

Elas falam de tudo, com muita naturalidade, elas falam de envelhecimento, de filhos, da vida, da sua sexualidade - de tudo. Nós homens quando nos encontramos, falamos de política, de mulher – bom, nem se fala tanto de mulher, não... Fala-se muito de futebol.

Acho que o futebol é fundamental pra preencher o imenso vazio masculino. Se não fosse o futebol de domingo, o que preencheria esse grande vazio?

sábado, 28 de maio de 2011

Neutralidade e Relativismo

“A ciência é neutra, pois usa métodos objetivos”

“Einstein já dizia que tudo é relativo!”

“Temos que ser neutros para bem decidir; afinal, tudo é relativo”

Eu não sei o que é pior. Se é o mito de que possamos conhecer a realidade de forma neutra, dito de outro modo, o mito de que existe um saber neutro e, portanto, teríamos no conhecimento científico o voto de minerva das contendas e a resposta aos problemas humanos - porque neutra não está do lado de ninguém, mas de todos. Ou se é pior a convicção mais ou menos geral de que tudo é relativo e, portanto, argumentar não teria muito valor, seria mera fantasia de pessoas obcecadas em te convencer – eu não gosto do teu argumento e pronto! Creio que o pior é quando estas duas ideias se articulam e se retroalimentam em uma única concepção (como na 3ª frase-mote deste post).

Se tudo é relativo, é relativo à que? Levi-Strauss fez certa vez um apontamento muito perspicaz: se gosto é relativo, então canibalismo é uma questão de gosto. Se há algum mérito na idéia de relativismo é o de ter rompido com o etnocentrismo europeu – e só. O problema de dizer que tudo é relativo é diluir a possibilidade de construir critérios que nos auxiliem a compreender certas questões (sejam teóricas ou práticas). Quando tudo é relativo, tudo é justificável e não há mais porque se argumentar – acabou a civilização! Sem argumentos voltamos ao tacape pra resolver divergências, algo meio hobbesiano.

E não dá pra aguentar o mau uso da referencia a Einstein sobre a relatividade de tudo. O que falam nas escolas nas aulas de física? Concordo que o nome da teoria dele em nada ajuda aos “não iniciados” a saberem do que se trata. A Teoria Geral da Relatividade trata justamente de encontrar uma base que não seja relativa à outra coisa, porque se tudo é relativo, essa “coisa” terá que ser relativa à outra e assim sucessivamente ao infinito. Einstein postulou que essa coisa que não é relativa a nada, mas ao que todas outras lhe tributam referencia, é a luz. Grosseiramente é isso.

Dá pra entender porque o argumento nietzscheano para a “morte de Deus” causou tanta revolta. Desde a filosofia de Descartes que Deus é o grande árbitro absoluto garantidor do acesso ao conhecimento da natureza pelo Homem. Deus era a “coisa” que não era relativa a nada. Com Deus “morto”, o Positivismo de Augusto Comte encontra morada no Reino dos Homens; e com ele a idéia de que conhecimento válido e verdadeiro é o científico... Claro, a ciência à La Comte. Max Weber dedica boa parte de seus trabalhos a questões de como ser neutro (p.ex. Ciência Como Vocação); notem que ele é desta época. Muita história rola a partir disto, mas não vou atordoar você leitor (ao menos neste post) com mais história. O que vale ficar dessa historieta é que se tentou convencer que ser científico é ser objetivo e para conseguir ser objetivo deve-se ser neutro.

Para acreditarmos no mito da neutralidade científica é preciso aceitar que o Homem pode olhar a natureza, o mundo, seja o que for, de fora. Afastado, intocado, sem contaminar o objeto de pesquisa e sem ser contaminado por ele. Que as pesquisas se dão sobre “dados” e fatos – como mostra a origem da palavra “dado” = “oferecido” pela natureza. Não tem nada “dado” na natureza, toda ciência constrói seus objetos e seus dados. O cientista sempre tem que escolher qual método vai usar – é ele que escolhe e não a natureza. Os métodos são construções teórico-filosoficas que sempre tem que assumir certos pressupostos para operar. Estes pressupostos condicionam os objetivos, os agentes e o funcionamento da ciência. Sofremos de uma concepção iluminista de que a verdade é alcançada com a descoberta de teorias, ocultas na natureza e postas ali por alguma divindade mitológica, bastando o ser humano descobrir quais são estas leis invariáveis da natureza para então dominá-la.

O ser humano faz parte dessa natureza que ele tenta entender; o que dirão ainda as Ciências Humanas, em que o pesquisador é o próprio objeto de pesquisa? Isso nada tem a ver com ideologia ecológica. Quer se dizer que a realidade humana é multidimensional, não existe fora da natureza, do mundo (do universo se quiserem). Ora se “a verdade” é um todo, certo e completo e cada ciência se baseia em uma única possibilidade, logo são falsas se pretenderem ser A Verdade. A ciência, como produto humano, é um poder exercido sobre as coisas e sobre os seres vivos, logo é necessário atingir uma reflexão sobre as decisões constitutivas dos diversos saberes das ciências humanas. A visão meramente objetivista, embora tente, não consegue fundar uma “ética do conhecimento”; entretanto não consegue prescindir de uma ética que lhe dê fundamento.

As condições onde se produzem os conhecimentos objetivos e racionalizados estão banhados por uma inegável atmosfera sócio-político-cultural. É dizer que não existe ciência “pura”, que a ciência é produto humano, que o cientista é atravessado pela subjetividade pessoal e social – quer goste ele ou não – a razão científica não é imutável. É histórica, social e cultural. O cientista não tem o privilégio da imunidade das injunções da mudança. Todavia, não significa por a ciência na lata do lixo – claro que não! É por isso que a atividade intelectual, que se pese científica, deve ser reflexiva e denunciar tudo o que parece se impor como “natural” ou “normal”. Humberto Maturana, em “Cognição, Ciência e Vida Cotidiana”, expressou isso sucintamente dizendo que não se foge de um posicionamento no mundo, sob pena de crer-se mero espectador do mundo; e, portanto, dotado de uma capacidade critica neutra.

Não há hoje cientista sério que acredite que a ciência dita verdades. O cientista de hoje sabe que ele não tem como provar nada, no máximo dizer em quais condições uma teoria pode ser refutada (Popper, Pierce, Lakatos, Godel). As publicações científicas são como os nossos jornais: as noticias de ontem tem menos relevo que as de hoje. Se o cientista não pode ser neutro, quem dirá nossas opiniões de botequim!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Solta o Verbo - Luiz Carlos Prates

Dando continuidade ao assunto proposto no meu último post, hoje vou dar a palavra ao jornalista, radialista e psicólogo Luiz Carlos Prates.


Prates nasceu em Santiago (RS), no dia 26 de janeiro de 1943. 

Iniciou a carreira em Porto Alegre no ano de 1960, quando atuou na extinta Rádio Porto Alegre, onde foi repórter, locutor e narrador de futebol de salão e de basquete. 

Em 1961 transferiu-se para a Rádio Difusora e, logo em seguida, para a Rádio Guaíba, onde trabalhou por quase dez anos. 

De 1964 a 1969, foi repórter da emissora Voz da América no Brasil. 

Em dezembro de 1972, formou-se em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica – PUC - do Rio Grande do Sul. 

Em 1975, foi contratado pela Rádio Gaúcha, onde trabalhou durante sete anos. 

Em 1977, tornou-se apresentador do “Jornal do Almoço” na TV Gaúcha.

Como narrador esportivo, participou de quatro edições da Copa do Mundo, de 1978 a 1990. Ainda atuou na Rádio Farroupilha e na TV Difusora de Porto Alegre.

Em 1981, mudou-se para Santa Catarina, onde trabalhou na TV Eldorado, de Criciúma. E na TV Record de Florianópolis. Em 1983, assumiu o cargo de coordenador de esportes da RBS TV de Florianópolis. Na emissora, narrou partidas de futebol e atuou como comentarista esportivo do programa “Jornal do Almoço”.

Exerceu a função de comentarista do Jornal do Almoço, da RBS TV de Florianópolis (entre diversas outras atividades ligadas à profissão de jornalista) até janeiro de 2011, quando saiu do grupo RBS.

A empresa não confirma, mas a saída de Prates ocorre após incontáveis manifestações de protesto contra alguns comentários feitos pelo jornalista em seu espaço na RBS TV e que foram mal recebidos por parte da opinião pública.

Pois bem, se lá te calam meu caro Prates, aqui queremos te ouvir!


Senhoras e senhores,  agora com a palavra, Luiz Carlos Prates:


“As pessoas andam doentes porque estão infelizes.”

"Este é um povo estúpido que não reage."

“Orgulho é consciência de valor, de trabalho bem-feito.”

“Para um ‘não te quero’, a melhor resposta é ‘nem eu’”

"Qualquer miserável agora tem carro"

“Se a lei não presta, mude-se a lei!”

“O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob, a chamada, ditadura militar”

"Ladrão tem que apanhar!"

“SAFADOS!” (Se referindo aos políticos envolvidos no escândalo das passagens aéreas).



Visite aqui o Blog dele.


Assista também: