Bom, estive lendo uma obra de Geraldo Augusto Pinto, sobre a atual organização do trabalho, onde o mesmo fazia menção a uma tendência cada vez mais acentuada de flexibilização nas relações de trabalho.
Pois bem, analisando a referida obra e estando minimamente atento ao desenrolar dos fatos políticos de nossa década, posso dizer que fica evidente no Brasil a busca ostensiva por um modelo econômico cada vez mais próximo do padrão chinês, com a necessidade cada vez maior de qualificação profissional, para que os trabalhadores possam disputar arduamente salários cada vez mais baixos.
Diz-se que o Brasil é um país rico! Concordo, mas como diria o glorioso Professor Claiton Schmidt, “É um país que produz pobreza”! Por quê?
Vejamos, possuímos uma vasta riqueza natural, (petróleo, minerais, vegetais, água...) Enfim, tudo em abundância, e o que fazemos?
Trabalhamos com a extração de matéria prima para a venda, ou seja, produzimos poucos e péssimos empregos, para que possamos vender a dita matéria prima por um preço ínfimo. Pagando mal nossos trabalhadores e explorando nosso país.
Em contrapartida, vendemos nossa matéria prima a algum país naturalmente pobre, que não possui o que explorar, mas que produz riquezas, pois trabalha basicamente com a transformação da matéria prima em produtos de alta tecnologia, ou seja, cria muitos empregos e que remuneram bem. E como arcam com tais custos?
Bem, vendendo tecnologia aos países pobres quando a mesma já está defasada para si, nos mantendo sempre retrógrados em relação a eles.
Interessante também frisar, que as grandes multinacionais impõe um trabalho extremamente oneroso aos seus funcionários, em sedes fora de seus países, ou seja, um funcionário da Nike nos EUA trabalha cerca de 40% a menos que um funcionário da Nike no Vietnã ou na já citada China.
Bom, o argumento que defende a flexibilização nas relações de trabalho está basicamente fundamentado na defesa da ordem econômica, com a conseqüente geração de emprego e renda.
Todavia, já sabemos que nos contratos de vínculo empregatício, existe uma relação de hipossuficiência, onde o empregado depende jurídica e economicamente do empregador, e o pior, tal dependência é de ordem alimentar.
Como podemos, portanto, conceber uma relação mais flexibilizada, com uma tutela cada vez menor do Estado regulando tal relação?
Existem teorias como a de Pareto, que “medem” a realização da função social das empresas, entretanto, (ainda) o dever de cuidado e proteção aos cidadãos compete ao Estado, e empresa alguma, por mais benéfica que seja, deve ter autonomia na relação contratual independendo de lei, ou flexibilizando a mesma, pois seu fim primeiro e último é o lucro, sendo o empregado um meio para o referido fim.
Portanto sempre que se fala em flexibilização nas relações de trabalho, se coloca perante a lei, empregado e empregador em situação de igualdade para dirimir conflitos.
Contudo, sabemos que de fato tal igualdade não existe, e como bem versam os Protocolos dos Sábios de Sião: “A liberdade é uma idéia”, e “O direito reside na força”.
Aproximar-se sem criar dependência. Aproximar-se apesar da distância da internet. Ser feliz sem se comprometer. Fugir da solidão sem abrir mão da individualidade. Estes são os conflitos das relações afetivas dos nossos dias. No mundo contemporâneo as relações se movem com enorme fluidez, o movimento é constante. Tudo é permitido. Nós esperamos respostas imediatas. O amor se torna um produto com prazo de validade. Esse é o Amor Líquido, termo cunhado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman para descrever as relações afetivas de hoje: um mundo de infinitas possibilidades é também um mundo de constante insegurança.
Segundo tempo
Quando pensamos em duas pessoas como casal, no que liga um casal, tem algo que parece estar ameaçado – e é bom que esteja ameaçado – que é o mito do complementar. Se a gente pensa no masculino e no feminino como plural e movimento, a ideia de duas metades da laranja entra em falência. Porque essa ideia de uma junção automática, que ninguém tem que fazer nada e naturalmente tudo dá certo – parece que boa parte das pessoas que lerem este texto podem testemunhar com a própria vida – que essa ideia de junção automática não dá certo.
Não basta o desejo e o encontro para que se dê certo. Claro, acabamos jogando fora algo interessante que tinha nessa ideia romântica do casal complementar, mas que na verdade leva bastante gente à frustração. Frustração por esperar que uma imagem idealizada se conforme com o mundo da vida – quando isso não ocorre.
Na questão do casal, parece haver uma tensão. Se por um lado existem as tentativas de construção de uma relação mais igualitária, onde homem e mulher compartilham uma relação com equilíbrio de poderes (embora não se saiba muito bem como se faz isso, as coisas vão se fazendo). Por outro lado, o erotismo e a sexualidade, curiosamente, não são muito “politicamente correto”. Porque a sexualidade do casal também passa por fantasias e jogos de dominação, submissão, também passa por jogos de infantilização que são erotizados, e passa por “castigos” e “presentes”. Todo um universo do jogo de poder e da raiva, da agressividade, que estão relacionados com a expressão da sexualidade e que não estão necessariamente combinados de uma forma conjunta com a questão do casal igualitário que possa discutir a relação.
Qual é a diferença entre o masculino e o feminino? Porque, quando falamos em casal complementar, a diferença está excluída. Quando o Movimento Feminista reivindica a igualdade, a diferença está abolida nesta fala. Não é a diferença biológica que se pergunta aqui – já tão desconstruída atualmente. De fato não é a diferença aparente. Não sei exatamente qual que é a diferença entre masculino e feminino, mas é aí que circula o desejo.
Quando começa a não aparecer alguma diferença, a sexualidade quase que morre. Tem aí alguma coisa de misterioso ainda: como que a gente conquista a igualdade preservando as diferenças?
Terceiro tempo
Existe algo que ocorre no universo feminino em que a mulher espera coisas do homem. Creio que isso que ela espera circula, transita, na expectativa pelo amor romântico. Talvez não se limite nessa ideia de completude, de complementaridade, de colocar no outro a expectativa de completá-la, mas talvez uma ideia, uma espera, de se sentir desejada. De precisar confirmar que ela é desejada.
Principalmente hoje, onde tudo é retificado, restaurado. Vivemos no mundo das plásticas, da eterna juventude, as mulheres tem que cuidar muito bem do seu corpo, da sua pele... Essas mulheres que tem filhos e o peito caiu; tem filhos e vão fazer uma lipoaspiração. É na ilusão que essas coisas vão trazer pra ela essa confirmação do desejo. Talvez faça essas coisas exatamente porque não saiba mais onde está o desejo. Então, essa circulação de pensar no desejo, malfada expectativa de ter de volta com a plástica a desejabilidade de si pelo homem. Ora, quantas histórias já ouvimos de mulheres que se plastificaram e, mesmo ficando maravilhosas, seus maridos já não as desejavam mais? Quer dizer que não passa por aí o desejo – é outra coisa.
Há também a questão de que muitos homens chegam à família muito inexperientes – neófitos – recém saídos de suas mães. É como se eles somente mudassem de casa. Sai do colo da mãe e vai para outros braços, chegando nesse novo aconchego. E as mulheres estão muito felizes em fazer isso: acolher em seus braços um homem que queira a proteção deste aconchego. Então muitas mulheres “ajudam” a criar filhos mal saídos de suas mães; e muitos homens, bem criados por suas mulheres, vão embora – estão prontos para ir embora: para os braços de outra mulher.
Quarto tempo
Nós homens somos novos com relação a se tematizar. Tematizar o homem enquanto ser da relação homem-mulher. É como se discutir essas questões, ter que lidar com isso, é constatar uma perda de poder. Porque a ideia de não precisar discutir significa estar superior a estas questões. Só que enquanto alguns homens estão se colocando como superiores a essas questões, essas questões estão se dando e as coisas estão mudando.
No inicio da década de 1980 a questão do feminismo era muito evidente e os jovens homens se sentiam acuados. O adolescente queria seguir os grandes modelos masculinos e depois na vida adulta eles não sabiam o que fazer com as moças. Não só não se sabia o que fazer com elas como não podia perguntar. Ao menos hoje se pode perguntar – continua-se não se sabendo, mas pode perguntar. A ideia de que se tem que saber automaticamente “o que fazer” talvez tenha ficado menos forte: um sinal de flexibilização.
Se pensarmos que o que se está falando é na verdade que o homem nunca havia tematizado nada, não havia se tematizado, pouca coisa mudou. É dizer, o homem nunca tinha se pensado como homem – éramos sempre aquilo que é evidente: todos sabem o que é ‘homem’, seu papel e função na família. Esse “todos sabem” é justamente a negação de se tematizar. Ora, nós éramos tão auto-suficientes que nos restava apenas reclamar um pouco desse avanço que as mulheres estavam exercitando naquela época.
A impressão é que até hoje os homens se tematizam muito pouco. As mulheres conversam muito mais sobre sua condição do que os homens. Talvez é por estar ainda delegado às mulheres conversarem sobre o universo dos filhos, como se isso não fosse ainda um universo que os homens pudessem compartilhar. Como se fosse ainda um universo feminino e os homens ficassem “livres” deste universo, do universo das relações.
Elas falam de tudo, com muita naturalidade, elas falam de envelhecimento, de filhos, da vida, da sua sexualidade - de tudo. Nós homens quando nos encontramos, falamos de política, de mulher – bom, nem se fala tanto de mulher, não... Fala-se muito de futebol.
Acho que o futebol é fundamental pra preencher o imenso vazio masculino. Se não fosse o futebol de domingo, o que preencheria esse grande vazio?
“Temos que ser neutros para bem decidir; afinal, tudo é relativo”
Eu não sei o que é pior. Se é o mito de que possamos conhecer a realidade de forma neutra, dito de outro modo, o mito de que existe um saber neutro e, portanto, teríamos no conhecimento científico o voto de minerva das contendas e a resposta aos problemas humanos - porque neutra não está do lado de ninguém, mas de todos. Ou se é pior a convicção mais ou menos geral de que tudo é relativo e, portanto, argumentar não teria muito valor, seria mera fantasia de pessoas obcecadas em te convencer – eu não gosto do teu argumento e pronto! Creio que o pior é quando estas duas ideias se articulam e se retroalimentam em uma única concepção (como na 3ª frase-mote deste post).
Se tudo é relativo, é relativo à que? Levi-Strauss fez certa vez um apontamento muito perspicaz: se gosto é relativo, então canibalismo é uma questão de gosto. Se há algum mérito na idéia de relativismo é o de ter rompido com o etnocentrismo europeu – e só. O problema de dizer que tudo é relativo é diluir a possibilidade de construir critérios que nos auxiliem a compreender certas questões (sejam teóricas ou práticas). Quando tudo é relativo, tudo é justificável e não há mais porque se argumentar – acabou a civilização! Sem argumentos voltamos ao tacape pra resolver divergências, algo meio hobbesiano.
E não dá pra aguentar o mau uso da referencia a Einstein sobre a relatividade de tudo. O que falam nas escolas nas aulas de física? Concordo que o nome da teoria dele em nada ajuda aos “não iniciados” a saberem do que se trata. A Teoria Geral da Relatividade trata justamente de encontrar uma base que não seja relativa à outra coisa, porque se tudo é relativo, essa “coisa” terá que ser relativa à outra e assim sucessivamente ao infinito. Einstein postulou que essa coisa que não é relativa a nada, mas ao que todas outras lhe tributam referencia, é a luz. Grosseiramente é isso.
Dá pra entender porque o argumento nietzscheano para a “morte de Deus” causou tanta revolta. Desde a filosofia de Descartes que Deus é o grande árbitro absoluto garantidor do acesso ao conhecimento da natureza pelo Homem. Deus era a “coisa” que não era relativa a nada. Com Deus “morto”, o Positivismo de Augusto Comte encontra morada no Reino dos Homens; e com ele a idéia de que conhecimento válido e verdadeiro é o científico... Claro, a ciência à La Comte. Max Weber dedica boa parte de seus trabalhos a questões de como ser neutro (p.ex. Ciência Como Vocação); notem que ele é desta época. Muita história rola a partir disto, mas não vou atordoar você leitor (ao menos neste post) com mais história. O que vale ficar dessa historieta é que se tentou convencer que ser científico é ser objetivo e para conseguir ser objetivo deve-se ser neutro.
Para acreditarmos no mito da neutralidade científica é preciso aceitar que o Homem pode olhar a natureza, o mundo, seja o que for, de fora. Afastado, intocado, sem contaminar o objeto de pesquisa e sem ser contaminado por ele. Que as pesquisas se dão sobre “dados” e fatos – como mostra a origem da palavra “dado” = “oferecido” pela natureza. Não tem nada “dado” na natureza, toda ciência constrói seus objetos e seus dados. O cientista sempre tem que escolher qual método vai usar – é ele que escolhe e não a natureza. Os métodos são construções teórico-filosoficas que sempre tem que assumir certos pressupostos para operar. Estes pressupostos condicionam os objetivos, os agentes e o funcionamento da ciência. Sofremos de uma concepção iluminista de que a verdade é alcançada com a descoberta de teorias, ocultas na natureza e postas ali por alguma divindade mitológica, bastando o ser humano descobrir quais são estas leis invariáveis da natureza para então dominá-la.
O ser humano faz parte dessa natureza que ele tenta entender; o que dirão ainda as Ciências Humanas, em que o pesquisador é o próprio objeto de pesquisa? Isso nada tem a ver com ideologia ecológica. Quer se dizer que a realidade humana é multidimensional, não existe fora da natureza, do mundo (do universo se quiserem). Ora se “a verdade” é um todo, certo e completo e cada ciência se baseia em uma única possibilidade, logo são falsas se pretenderem ser A Verdade. A ciência, como produto humano, é um poder exercido sobre as coisas e sobre os seres vivos, logo é necessário atingir uma reflexão sobre as decisões constitutivas dos diversos saberes das ciências humanas. A visão meramente objetivista, embora tente, não consegue fundar uma “ética do conhecimento”; entretanto não consegue prescindir de uma ética que lhe dê fundamento.
As condições onde se produzem os conhecimentos objetivos e racionalizados estão banhados por uma inegável atmosfera sócio-político-cultural. É dizer que não existe ciência “pura”, que a ciência é produto humano, que o cientista é atravessado pela subjetividade pessoal e social – quer goste ele ou não – a razão científica não é imutável. É histórica, social e cultural. O cientista não tem o privilégio da imunidade das injunções da mudança. Todavia, não significa por a ciência na lata do lixo – claro que não! É por isso que a atividade intelectual, que se pese científica, deve ser reflexiva e denunciar tudo o que parece se impor como “natural” ou “normal”. Humberto Maturana, em “Cognição, Ciência e Vida Cotidiana”, expressou isso sucintamente dizendo que não se foge de um posicionamento no mundo, sob pena de crer-se mero espectador do mundo; e, portanto, dotado de uma capacidade critica neutra.
Não há hoje cientista sério que acredite que a ciência dita verdades. O cientista de hoje sabe que ele não tem como provar nada, no máximo dizer em quais condições uma teoria pode ser refutada (Popper, Pierce, Lakatos, Godel). As publicações científicas são como os nossos jornais: as noticias de ontem tem menos relevo que as de hoje. Se o cientista não pode ser neutro, quem dirá nossas opiniões de botequim!
Dando continuidade ao assunto proposto no meu último post, hoje vou dar a palavra ao jornalista, radialista e psicólogo Luiz Carlos Prates.
Prates nasceu em Santiago (RS), no dia 26 de janeiro de 1943.
Iniciou a carreira em Porto Alegre no ano de 1960,quando atuou na extinta Rádio Porto Alegre, onde foi repórter, locutor e narrador de futebol de salão e de basquete.
Em 1961 transferiu-se para a Rádio Difusora e, logo em seguida, para a Rádio Guaíba, onde trabalhou por quase dez anos.
De 1964 a 1969, foi repórter da emissora Voz da América no Brasil.
Em dezembro de 1972, formou-se em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica – PUC - do Rio Grande do Sul.
Em 1975, foi contratado pela Rádio Gaúcha, onde trabalhou durante sete anos.
Em 1977, tornou-se apresentador do “Jornal do Almoço” na TV Gaúcha.
Como narrador esportivo, participou de quatro edições da Copa do Mundo, de 1978 a 1990. Ainda atuou na Rádio Farroupilha e na TV Difusora de Porto Alegre.
Em 1981, mudou-se para Santa Catarina, onde trabalhou na TV Eldorado, de Criciúma. E na TV Record de Florianópolis. Em 1983, assumiu o cargo de coordenador de esportes da RBS TV de Florianópolis. Na emissora, narrou partidas de futebol e atuou como comentarista esportivo do programa “Jornal do Almoço”.
Exerceu a função de comentarista do Jornal do Almoço, da RBS TV de Florianópolis (entre diversas outras atividades ligadas à profissão de jornalista) até janeiro de 2011, quando saiu do grupo RBS.
A empresa não confirma, mas a saída de Prates ocorre após incontáveis manifestações de protesto contra alguns comentários feitos pelo jornalista em seu espaço na RBS TV e que foram mal recebidos por parte da opinião pública.
Pois bem, se lá te calam meu caro Prates, aqui queremos te ouvir!
Senhoras e senhores, agora com a palavra, Luiz Carlos Prates:
“As pessoas andam doentes porque estão infelizes.”
"Este é um povo estúpido que não reage."
“Orgulho é consciência de valor, de trabalho bem-feito.”
“Para um ‘não te quero’, a melhor resposta é ‘nem eu’”
"Qualquer miserável agora tem carro"
“Se a lei não presta, mude-se a lei!”
“O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob, a chamada, ditadura militar”
"Ladrão tem que apanhar!"
“SAFADOS!” (Se referindo aos políticos envolvidos no escândalo das passagens aéreas).
Saiu hoje no Diário Oficial da União (DOU nº 100, seção 1, Atos do Poder Legislativo) a alteração da Lei 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, uma lei que aplicava sanções penais e administrativas sobre condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, entre outras providências como a integridade do Patrimônio Público.
E daí? “E daí” que essa lei de 1998 tipificava em um de seus artigos, o art. 65 no capítulo Dos Crimes contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural a prática do grafite, juntamente com a pichação, como crime. Para esta lei não havia diferença entre pichar e grafitar. Tudo farinha do mesmo saco. A penalização? Três meses a um ano de detenção, mais multa.
Ora, o poder público não fez essa diferença, embora ela seja bem marcante. Não está aqui em discussão se o grafite é bonito, se é feio, se eu gosto, se não gosto, ou ainda se é “mesmo” arte. Isso é discussão de outra ordem, lá no campo da estética. O ponto é que o Grafite é considerada uma arte de rua e a pichação é vandalismo. Em geral a pichação é demarcação de território de gangues, sujando o patrimônio público, depredando um bem de outra pessoa, desenhando em locais proibidos ou não solicitados pelos proprietários do bem. O pichador não está interessado em embelezar alguma parede nua, ele quer mostrar que ele “está na área” com dizeres, símbolos e assinaturas que identificam sua gangue e/ou suas práticas criminosas. Quem já não viu frases como “Nóis somos o terror”, “Porco deve morrer”, “Eu to é na bandidagem”... Precisa de mais exemplos?
O grafiteiro, muito pelo contrário, é de um movimento oriundo lá no final da década de 1970, em New York, das minorias sócioeconomicamente excluídas da cidade que desejavam expressar sua arte. Muitos eram contratados por ONGs ou proprietários privados para fazer alguma obra em uma parede nua. Grafiteiro faz sua arte em locais autorizados, de dia, sem precisar se esconder e dão uma aparência estética onde só havia concreto. Abrem janelas estéticas nos limites da pedra caiada da selva citadina... Mas claro, de 1998 até hoje, esta arte não podia ser expressa legalmente pois caia no mesmo fosso da pichação. Para uma cidade autorizar um grafite, por exemplo, nos túneis cinzentos de seus viadutos, teria de usar de subterfúgios jurídicos (que sempre há) para não ser sancionadora de crime: autoriza-se a “pintura artística de estilo urbano no viaduto da Conceição”. Ridículo!
Com a alteração de hoje na lei, saída no D.O.U., essa bobajada finda-se. Agora grafiteiro pode ser contratado para fazer honestamente sua arte e ter reconhecido pelo nome apropriado sua arte. De quebra a alteração impôs que a venda de sprays somente poderá ser feita a maiores de 18 anos sob identificação registrada na nota. Até que em fim! Criminalizaram em 1998, mas tinham deixado livre o acesso ao material da pichação – dá pra entender? Entretanto, não se enganem; existem muitas leis importantes tramitando no Congresso que não recebem atenção. Uma conquista como esta de hoje não vem desagregada de manobra política. Amanhã ou depois virá a cobrança da fatura: “porque nós respeitamos o povo e os grafiteiros... votem em nós!” ou “aquela lei bárbara era do governo do Fulano e nós alteramos para o bem do povo”.
O aprendizado político, cultural e jurídico é lento. Mas se perdermos a esperança de que nós podemos ter um mundo diferente... O que resta?
“Mas que falta de respeito!”, “Ninguém respeita mais ninguém...”, “Fulano criticou as ideias de Sicrano, não se tem respeito hoje em dia!?”, “Imagina ir na casa de alguém sem avisar!? Cadê o respeito!?”, “Aquele político não respeita os trabalhadores”, “Isso não pode ser dito”, “As pessoas deviam calar se é pra ter essas opiniões” e por aí vai...
Quem já não ouviu estas ou outras frases como essas? Quantas vezes invocamos essa palavra – respeito – em situações tão diversas? Parece que estamos sempre prontos pra reclamarmos por respeito. Mas, mais de uma vez na vida teremos oportunidade (se já não tivemos) de ver duas pessoas reclamarem por respeito uma em relação a outra – e parecer que elas falam de coisas diferentes. Com isso podemos nos dar conta de uma coisa: não é evidente o que é respeito (ou a falta dele) para todos igualmente.
“Respeito se constrói” diz a voz popular – mas a partir de onde? Esta é uma questão complicada e somente por muita ingenuidade alguém diria ter isso claro prontamente, distanciado de uma reflexão. É complicada porque está ligada à ética – pois éthos, de onde vem a palavra, significa comportamento. Mesmo grandes filósofos já se “atrapalharam” com o tema. Então por que se importar com o assunto?
Ora, porque, como disse acima, usamos esse conceito com muita frequência e algo que usamos frequentemente deve ser melhor conhecido para ser melhor usado. Ainda que possa ser um tema difícil (até para filósofos) nada impede que se empreenda uma aproximação, que pode ampliar nosso entendimento (saindo de um mero senso comum) e que pode estar também equivocado (podendo ser revisado futuramente). O importante não é saber se estamos certos, mas ampliar nosso entendimento, saindo da ingenuidade. Se nunca dirigi um carro na vida, posso empreender uma aproximação de como se faz em uma auto-escola. Isso não me torna um profissional do volante e menos ainda um piloto de provas da 4Rodas, mas já passarei a entender aspectos de como se dirige que antes não percebia. Por isso, então, façamos uma aproximação disso, uma mera opinião, para que possamos juntos ter umolhar-para a condição do outro.
Não é mero acaso que escrevo “ter um olhar-para a condição do outro”. O motivo é simples. É que, por mais engraçado que pareça, a palavra respeito, em sua origem, significa exatamente isso: olhar para trás, considerar, examinar com atenção, ver as outras pessoas em sua condição, seja ela qual for, concordando ou não. Bom, se respeito é isso (perceber a visão de mundo do outro como tão digna quanto a minha) e cada ser humano é tão único que constitui um “universo particular”, então é como se cada um de nós fosse uma espécie de “país”. E, como todo país, esse “universo particular” que sou eu, você e todas as pessoas, tem limites.
O limite de meus desejos, direitos, de minhas liberdades, deste meu “território” é onde inicia o “universo particular” do outro! Ora, isso você já sabia e concordava, afinal existe até um ditado popular que nos diz que a “liberdade de um termina onde começa a do outro”. Então, onde quero chegar? Quero chegar aonde nos damos conta de que saber onde ficam as fronteiras desses “universos particulares” é uma das coisas mais difíceis. Tanto é difícil que inventaram mais de um ramo do saber pra estudar as relações humanas: a sociologia, a antropologia, ciência política, a ética etc. Algumas coisas das relações humanas são mais fáceis de apontar se o desrespeito ocorre; mas em outras, como na expressão de ideias, opiniões e críticas, frequentemente os limites não são nada claros. Em geral consideramos desrespeito, ou excesso de liberdade, as opiniões que nos desagradam fortemente.
Ora, também foi por isso, por essa dificuldade de definir onde começam e terminam nossas liberdades, que socialmente “inventou-se” a moralidade. Em princípio, a moral surge como uma tradição que aponta, doutrina ou ajuda as pessoas a saberem como agir em cada assunto da vida social. Claro que, nem eu nem você, concordamos com a maioria dos preceitos morais que acabaram se constituindo, na verdade, em preconceitos da sociedade que, ao invés de ajudar, muitas vezes atrapalham a vida. No geral, com esses “preceitos morais” conseguimos nos deslocar na vida social relativamente bem... Entretanto, uma multiplicidade de situações não tem “regras sociais” definidas de antemão; mantendo, a “fronteira” entre as liberdades de cada um, difusa.
Bom, se esses limites das minhas liberdades com as tuas liberdades não são tão bem definidos é notável que possa haver confusões entre as pessoas. E é o que acontece muito. As frases mote que iniciaram este post apontam para críticas de uma pessoa frente uma possível falta de respeito com outra. O ponto é que, possivelmente, aquela conduta do outro não é considerada um desrespeito, uma invasão do “universo particular”, por ele. Por exemplo, se eu criticar a teoria que um professor me apresenta isto pode ser considerado uma falta de respeito pelo professor ou pelos colegas, um “excesso de liberdades” do aluno, enquanto para mim é promover a reflexão. Posso dar opiniões, como este texto, ou os textos deste blog, que você pode não gostar; mas, nem por isso, se desrespeita alguém. Se dizem que certas coisas não podem ser ditas, certas opiniões são proibidas, certas ideias são subversivas... Bom, a liberdade de expressão acabou e a democracia falhou.
Não podemos ter medo de ideias, opiniões e críticas. Nada disso pode ser desrespeito, sejam as opiniões que se discorda ou as que se concorda. Temos que temer é o fim da liberdade de expressão, de ir-e-vir, de viver... Se “respeito se constrói”, então deve ser sobre os alicerces destas liberdades.
Esse tsunami de posturas “politicamente corretas” onde cada letra do que se fala deve ser cuidadosamente medida para evitar complicações judiciais já irritou.
As pessoas que pensam de forma diferente estão com medo e vergonha de darem sua opinião em público, exatamente como ocorria em épocas de censura, só que desta vez os valores estão inversos. E falo por mim mesmo. Eu estou sentindo na pele isso e já estou de saco cheio!
A sociedade brasileira mudou sim, isso é inegável. Mas a prática de tentar coibir as opiniões opostas às ditadas pela regência continua. Só que ao invés de prender o sujeito que fala, agora ele é desmoralizado nas mídias, com auxílio de uma turba de ignorantes escravos da TV.
Como assim não posso falar isso ou aquilo? Quem é você pra querer me impedir de falar? Do que você tem medo?
Agora temos que nos preocupar com termos “afro” isso “afro” aquilo e substituir “ismo” por “ade” para não sermos estigmatizados de racistas e preconceituosos ou coisa pior. Como se o vocabulário fosse curar essas patologias sociais.
A chamada “onda verde” que assola todos os redutos de opinião do mundo, põe a paciência de qualquer um que tenha um mínimo de massa encefálica em estado crítico. Tem gente mijando no chuveiro e se achando o Capitão Planeta, enquanto pessoas inescrupulosas enchem os bolsos de dinheiro vendendo as famosas “eco-bags” e ONGs fajutas saqueiam nossa selva Amazônica.
Assim como já encheu o saco aquela palhaçada toda de desarmamento, as infindáveis (e demagógicas) passeatas pela paz e as insuportáveis campanhas anti-tabagistas (essas últimas que só fazem aumentar o consumo de cigarro).
E mais, somos regidos por um sistema de leis que prega a igualdade entre os homens mas que cria cotas de ingresso baseadas em diferenças étnicas (eu disse “étnicas” tá? E não “raciais”. Por favor não me prendam nem me chamem de racista).
Eu faço mais trabalho social e tenho mais engajamento em causas como o racismo, conscientização da juventude e sustentabilidade do que 99% das pessoas que ficam com seus rabos fedidos em casa despejando lixo verbal em sites de relacionamento. Eu faço o trabalho sujo e conheço a realidade de perto, enquanto você fica na sua casinha bonitinha vendo novela e Big Brother.
E sou eu quem não posso dar minha opinião? Ah, VÃO PRO INFERNO, ok?
Eu vou falar o que eu quiser, quando eu quiser. Porque é meu direito, como cidadão e como ser humano. E não estou nem aí pras suas malditas regrinhas do que é certo e errado. Faça sua lição de casa antes de querer dar algum palpite em algo que você não entende. Saia da sua vidinha medíocre e venha sujar seus lindos sapatinhos de grife com terra e bosta de esgoto a céu aberto num bairro pobre antes de vir me chamar de qualquer coisa! Certo?
Mesmo correndo o risco de ser execrado (e certamente o serei), eu vou dizer: ser politicamente correto é ESTUPIDEZ!
Sempre foi e sempre será. Não importa se as opiniões que agora são “erradas” são opostas às suas ou não.
Você não tem o direito de calar NINGUÉM, e nem de punir qualquer pessoa só por não concordar com você. Seja você quem for, ocupe o cargo que for, você não passa de um ser humano igualzinho aos outros bilhões que povoam esse planeta, e seus direitos terminam onde começam os direitos dos outros.
E pra coroar esse post, eu vou começar aqui uma campanha para dar espaço aos que estão sendo calados por esse pensamento imbecil.
Periodicamente publicarei citações de pessoas consideradas “politicamente incorretas”. Quero com isso dar o exemplo a todos e mostrar que esse negócio de ditar regras para o pensamento alheio não é legal. Ok? Tranquilo?
Então vamos lá.
Para começar bem, vou listar as citações polêmicas do homem mais bombardeado da atualidade: o fanfarrão e polêmico Sr. Deputado Federal Jair Bolsonaro.
Embora eu discorde das palavras dele em inúmeras situações, e condene a postura que ele assume no plenário e nas mídias, eu sou o primeiro a dizer DEIXEM ELE FALAR!
Ele representa uma parte substancial da população brasileira, que merece ter uma pessoa que defenda essas posturas, do mesmo jeito que os oponentes dele o fazem. E se você não gosta, ótimo. Então fale você também. Mas fale com base e coerência. Não fique defecando verbalmente coisas que você não entende só acompanhando a opinião da boiada.
Abra sua mente e ocupe seu tempo com mais cultura e menos consumo, que é o melhor que você faz.
Senhoras e senhores, agora com a palavra, Dep. Jair Bolsonaro:
•"Deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso".
•"Eu falei para Robson Tuma ficar na dele, senão o enchia de porrada."
•"Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas."
•"Pinochet devia ter matado mais gente."
• “Eu tenho imunidade parlamentar pra falar. Não pra roubar.”
•"Já vai tarde".
(Quando Luís Eduardo Carlos Magalhães faleceu, filho de Antonio Carlos Magalhães – ACM - . Revista Veja, 1998).
•"É um índio que está a soldo aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para a noite sua ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena. Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens".
•"Eu acredito em Deus. Sou católico. Mas é coisa rara ir à Igreja. Eu já li a Bíblia inteirinha, com atenção. Levei uns sete anos para ler. Você tem bons exemplos ali. Está escrito: "A árvore que não der frutos, deve ser cortada e lançada ao fogo". Eu sou favorável à pena de morte".
•"O único erro foi torturar e não matar".
(Sobre a possibilidade de revisão da Lei de Anistia, que poderia punir de acusados de torturas e outros crimes contra presos políticos durante o regime militar).
•"Isso nem passa pela minha cabeça. Eles tiveram uma boa educação, com um pai presente. Então eu não corro esse risco."
(Sobre a possibilidade de ter um filho homossexual, em entrevista ao CQC).
•"Estou sofrendo preconceito por ser heterossexual."
"próximo passo vai ser a adoção de crianças (por casais homossexuais) e a legalização da pedofilia."
•”Mas ninguém nunca viu um bandido executado voltar a cometer crime” (respondendo ao comentário de Jô Soares, que argumentou que a pena de morte não resolve problemas de violência).
• “O senhor Tarso Genro é um borra botas” (discurso no plenário).
• “O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem."
•"O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico." (Falando sobre o uso da tortura por policiais em operações contra o tráfico de drogas).
•“Foram 20 anos de ordem e progresso".(Falando sobre o Regime Militar Brasileiro).
• Em 2000, afixou na porta de seu escritório um cartaz que dizia aos familiares dos desaparecidos da ditadura militar "quem procura osso é cachorro".