sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Seção Personalidades Estranhas - Bóris Iéltsin

Que Bóris Iéltsin foi um político russo que inseriu o capitalismo na Rússia e perdeu alguns dedos brincando com granadas na juventude, todo mundo sabe. Que o cara estava envolvido em escândalos e em altos casos de corrupção, todo mundo sabe. Que ele vivia bêbado e aprontando mil e uma peripécias pelo mundo todo mundo também sabe. E é por isso que nosso querido amigo de copo, amado por muitos levantadores de copos do planeta inteiro, é nossa personalidade estranha do momento.

Bóris Iéltsin

Não quero entrar no mérito político de tão mal falado homem. Não estou aqui pra julgar nem dar minha opinião sobre seus atos de governo ou suas escolhas políticas. Mas quero sim prestar uma homenagem ao pai da bebedeira russa, cuja personalidade, se fosse privada de nosso mundo, não nos permitiria dar tantas gargalhadas e ficar tão escandalizados com tantos vídeos bizarros vindo daquele país frio onde só tem louco e bebum.

Vodka russa

A bebida favorita de Bóris era a vodka, e sua preferida era a Stolichnaya, mas também gostava de tomar outras 42 marcas fabricadas na Rússia, gosto esse que permanecerá eternamente associado á sua imagem. Durante seu governo, que trouxe a Rússia ao mundo capitalista (em depreciação do socialismo), Iéltsin batalhou para que a indústria da vodka no país fosse liberta das restrições da distribuição mantidas pelo Estado, fazendo com que um número de indústrias da bebida razoavelmente grande ganhasse espaço no país. Alguns dos efeitos colaterais desse liberê geral foram que muita gente morreu por conta de vodkas de péssima qualidade e os problemas de alcoolismo que cresciam de forma assustadora, ameaçando até mesmo a economia do país. Com tudo isso, a regulamentação da bebida voltou, o que não impediu o mercado de vodka barata de aumentar. O país decretou estado de emergência em várias cidades devido á falta de capacidade dos hospitais de lidarem com a grande quantidade de indivíduos que consumiram vodka contaminada.

Há uma estimativa de que cerca de 42 mil russos morrem POR ANO em consequência da embriaguez de vodka barata (!!!! - isso corresponde à 116 mortes diárias, 5 mortes a cada hora), o que cria uma crescente preocupação no governo, afinal, com isso há uma estimativa de que até 2050 o país perca cerca de um terço de toda sua população (visto os problemas relacionados à natividade que colabora pra isso).

Mas voltando ao homem...

Iéltsin nunca escondeu seu problema crônico relacionado ao alcoolismo. Pelo contrário, era comum vê-lo aprontando das suas, seja dançando, seja caindo, seja bebendo. Em sua biografia também não esconde o jogo, diz que muitas vezes agiu sob influência do álcool no seu governo.

"Percebi que o álcool era a única maneira de aliviar o stress."

Outra cena muito comum era vê-lo cochilando em reuniões.

"Alguns dizem que a vodka atualmente é barata demais e que devíamos aumentar os preços. Mas eu ainda não tive coragem para isso. As pessoas têm sentimentos especiais por esta bebida. Elas não ligam de tomar um ou dois tragos depois do trabalho. Então não tenho pressa em aumentar os preços.”

Alguns fatos históricos

- 1989: teve que explicar ao Soviete Supremo o motivo de ter entrado numa delegacia em Moscou todo molhado e só de cueca;
- 1992: tocou colher (um instrumento musical russo) na cabeça de Askar Askayev, presidente da Quirguízia;
- 1994: em uma viagem de barco descendo o rio Volga, pediu a seus guarda-costas que atirassem seu porta voz na água. No mesmo ano, durante um desfile militar, pegou a batuta do líder da banda e tentou reger a orquestra. Depois, no mesmo dia, numa recepção, pegou um microfone e começou a cantar;
- Ainda em 1994, ao ser recebido pelo primeiro-ministro da Irlanda no aeroporto de Shannon, se recusou a sair do avião (provavelmente bêbado);
- 1995: flagrado beliscando a bunda de sua secretária numa reunião com correspondentes estrangeiros;
- 1996: dançou rock num comício, que rendeu muitas fotos engraçadas que abrilhantam o post;
- 1997: declarou, na Suécia, que iria reduzir o arsenal nuclear russo e buscar uma proibição mundial. Seu porta-voz depois disse pra não serem levadas a sério suas declarações;
- Existe um campeonato na Rússia chamado "Boris Yeltsin Cup". Não se trata de campeonato de vodka, mas sim de um campeonato de tênis, por incrível que possa parecer.

Alguns fatos também geraram polêmicas mas se desconfia que não passam de boatos. Por exemplo, Bill Clinton em seu livro de memórias, afirma que certa vez Iéltsin foi encontrado perto da Casa Branca de cueca, na madrugada, bêbado e procurando uma pizza, durante uma visita à Washington.






Morte

Bóris Iéltsin faleceu aos 76 anos. Desta vez, quando caiu, caiu pra não mais levantar.

*Agradeço meu colega Paulo por ter comentado sobre esta personalidade estranha e ter me dado à idéia de escrever sobre ele.



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Batalha de Titãs


(ou para que falar de filosofia hoje?)

Em poética prosa

Olhamos para todos os lados e vemos somente um corredor escuro e estreito. Um pouco baixo e um pouco torto para um corredor de apartamento normal... Normal: palavra estranha atualmente. Mas, este corredor não é somente um corredor, é um túnel cavado para fugir da prisão. Uma leve iridescência paira prisioneira e se espalha pelas paredes desse corredor. Nem dia ou noite muda essa atmosfera regada por uma lâmpada fraca, mortiça e triste.
Nosso mundo está nesse corredor. Claro, existe uma janelinha protegida por venezianas de metal. Nela tentamos desesperadamente vislumbrar alguma coisa através das frestas. Talvez uma paisagem que se estenda além do oriente. Mesmo com muito esforço, mal avistamos um cipreste poeirento e um muro de pedras irregulares. Onde agoniza um mísero raio de sol, um pálido crisântemo se exprime tal como um viajante com sede vindo do deserto. Uma caixa de leite cortada no cimo servindo de vaso.
Pode esta cena lembrar o mundo desencantado em que vivemos hoje? Se as palavras acima ressoam uma voz de amor e trevas amóziana, não é mera coincidência. Se um filósofo há 2500 anos deu as bases de nosso mundo, outro desferiu um golpe tão profundo que estamos perdidos... Ou sempre estivemos, mas não reconhecíamos. A falta de sentido no que vemos ocorrer a nossa volta todos os dias (terrorismos, pedofilias, misérias extremas – material e espiritual –, hipocrisia do escárnio etc) é o lembrete incômodo de que as asas negras tocarão a todos sem exceção, sem motivo, sem direção; mesmo com os novos “sinais de sangue” tecnológicos, saberemos o gosto do sal do deserto, porque todo sentido foi perdido.
...
Em prosa poética

Falemos claramente: o “instinto” estava fadado a ser banido do projeto cultural de toda a Civilização Ocidental nos próximos 2500 anos quando uma grande aberração nasceu no mundo: Sócrates. É assim que se passa a ver este grego se evisceramos os olhos de Friedrich Nietzsche e pomo-los no lugar dos nossos próprios.
“Como assim, só por instinto?”, brada o filósofo alemão contra Sócrates, para quem uma ação motivada “apenas” por instinto não poderia ser considerada válida. Segundo Sócrates, o único fundamento aceitável para nossas ações, e para a vida em geral é a racionalidade. Diante da assertiva do pensador grego, Nietzsche sentencia, em O Nascimento da Tragédia (1871), que esse é o início do fim: a máxima socrática decreta o declínio da civilização ocidental, quando passamos a ser orientados a duvidar do nosso instinto, a ignorar nossa intuição e a conter os sentimentos em função da razão.
O instinto, conforme Nietzsche, é o que nos vincula às forças telúricas, no momento em que passamos a não mais segui-lo nos distanciamos da natureza, vamos deixando de comungar do arrebatamento e do êxtase provocados pelo encontro entre a Terra e seus discípulos (era esse estado que o teatro trágico da Grécia pré-socrática representava). Tais manifestações da comunhão entre natureza e ser, antes vivenciadas em tudo aquilo que portavam de mais belo, terrível e intenso, passam a se mostrar estranhas, desconhecidas, porque são agora exteriores ao ser. Surge então o medo, e quem tem medo demanda controle, e eis que testemunhamos a origem do esforço amedrontado em domar a natureza, nos fala Nietzsche.
Reduzimos o existir a medir, quantificar, analisar, racionalizar, teorizar, modelar, sistematizar... Os mestres da crise humana: Sócrates, Aristóteles, Bacon, Descartes... A “modernidade” se instala triunfalmente: somos Homo Sapiens ou Mono¹ Sapiens? Diz Nietzsche que é aqui chegamos. Onde o senso comum vê evolução, o filósofo alemão vê crepúsculo.
O homem moderno é um ser que tem medo da vida: para ele, existir, é algo ameaçador. Ao seu espírito abandonado pelas forças naturais, ao seu corpo órfão do instinto que lhe guiava, só resta lutar pela sobrevivência: nesta batalha de titãs nem Darwin escapa aos martelos de Thor de Nietzsche, em Crepúsculo dos Ídolos (1888). Diz o filósofo que o evolucionista é o porta-voz da pequenez do homem moderno... Somente para os pequenos de espírito é que faz sentido “sobreviver” - na natureza os seres se afirmam, os seres vivem! A natureza é abundância, a natureza é excesso, a natureza é prodigalidade.
Para que falar de filosofia hoje? Não existem mais grandes sistemas filosóficos, nem certezas absolutas, verdades últimas, a história não teve um fim, as grandes utopias agora podem ser compradas no shopping: as bases em que nosso mundo se ergueu estão em ruínas. Então é tempo de cartografar, à moda Deleuze, novos caminhos... Sem poesia e sem filosofia? É justamente por essa falta que caminhamos sobre escombros, tumbas de antigos deuses ainda vivificados em simulacro por nosso apego à velhas reminiscências.
Para que falar de filosofia hoje? Mudemos a pergunta: há ainda que se perguntar para que ela serve? Ou você está se lamentando ou caminhando sobre túmulos de deuses moribundos.

¹ Mono: nombre genérico con que se designa a cualquiera de los animales del suborden de los Simios. Diccionario de La Lengua Española, 23ª ed. Real Academia Española.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Solta o Verbo: Rachel Sheherazade

Dando continuidade à campanha contra a imbecilidade do politicamente correto (veja o começo de tudo clicando aqui e aqui), hoje apresentarei a quem por ventura ainda não conhece, uma pessoa surpreendente. A jovem, talentosa e belíssima jornalista que não tem papas na língua: Rachel Sheherazade.


Conheci seu trabalho ainda esse ano, 2011, quando navegando pela internet acabei por encontrar um video em que ela comentava sobre a sua opinião a respeito do carnaval. Dali em diante, tenho tentado acompanhar cada palavra que ela diz, não apenas motivado pela massagem que palavras bem colocadas fazem nos assuntos em que minha opinião é semelhante à dela, mas em todos os outros também, uma vez que ela não fala abobrinhas, como um sem-número de jornalistas irresponsáveis que ocupam posições de destaque no nosso país. Rachel é diferente, minhas amigas e meus amigos, ela não se prende ao que manda o regimento da burrice imposto pelo senso comum.
Bem, ao realizar uma breve pesquisa em busca de mais informações a respeito dessa moça que usa a linguagem como arma, logo percebi que ela é bastante jovem, e portanto, as informações que se encontra sobre “quem ela é” na internet infelizmente são bastante superficiais e incompletas. Mas é possível encontrar detalhes como por exemplo, o fato dela ter nascido em João Pessoa, capital da Paraíba, se formado em Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba, ter trabalhado na TV Correio, afiliada da Rede Record na Paraíba, na TV Cabo Branco, afiliada da Rede Globo e em 2003, ter assumido a bancada do Tambaú Notícias, telejornal diário da TV Tambaú, afiliada do SBT na Paraíba.

Atualmente, Rachel Sheherazade é âncora (juntamente com Joseval Peixoto) no telejornal “SBT Brasil”.

Visite aqui o blog dela.

Senhoras e senhores, com a palavra, Rachel Sheherazade:







terça-feira, 19 de julho de 2011

Seção Personalidades Estranhas - Ottomar Berbig

Ottomar Berbig

Ottomar Berbig foi um socialite alemão nascido em 10 de Outubro de 1940 na Berlim ocidental e que alcançou a fama através da reivindicação de pertencer à linhagem de Vlad Dracula.

Vlad III, príncipe da Valáquia, conhecido por Vlad, O Empalador (Vlad Tepes), ou como Dracula. Seu sobrenome serviu de inspiração para Bram Stoker nomear seu vampiro Conde Drácula. O sobrenome romeno de Vlad (Draculea, também escrito Drakulya) veio em referência a seu pai Vlad Dracul. Vlad Dracul foi morto pelos boiardos que se juntaram a John Hunyadi. Vlad III então fugiu e se exilou na Hungria, até retornar ao poder. Ao retornar, planejou matar os boiardos para se vingar da morte de seus pais, plano que executou com maestria, dez anos depois, num domingo de páscoa em torno de 1457, primeiramente empalando os boiardos mais velhos e famílias. Os boiardos jovens e saudáveis foram utilizados para reconstruir o castelo nas ruínas do Poienari, que se tornou sua fortaleza. Após a construção, os boiardos que haviam sobrevivido e não morreram de exaustão - já praticamente todos nus, pois trabalharam até inutilizarem suas próprias roupas - foram empalados. Outras atrocidades cometidas por Vlad nas histórias alemãs incluem além do empalamento a tortura, queima, esfolamento, corte de membros e afogamentos (além de assar ou ferver as pessoas, servindo à carne aos amigos e parentes da mesma). Esses castigos eram aplicados a ladrões, mentirosos e adúlteros. Esta foi a maneira que Vlad utilizou para manter a ordem no seu povo: ensinando-lhes que o roubo não seria tolerado em suas terras. E assim foi: puniu quem quebrou as leis, sejam homens ou mulheres, de qualquer classe social, idade ou religião.

Berbig era um padeiro em 1980 quando conheceu Ekaterina Olympia Kretzulesco, de legítima descendência consanguínea do lendário conde Vlad Dracul. Tornaram-se amigos e Ekaterina então adotou Berbig como seu filho, visto que a mesma não possuía herdeiros e queria garantir a continuidade da linhagem familiar, e estava impressionada com a aparência de Berbig, com seu cabelo preto encaracolado e bigode "transilvaniano".
Ekaterina Olympia Kretzulesco nasceu em Bucareste, em 28 de janeiro de 1893 e morreu em 26 de maio de 1993. Foi uma célebre aristocrata e filantropa romena, descendente de sangue de Vlad Dracul. Cresceu na Inglaterra e na França, e viveu na Romênia entre 1908 e 1952, quando fugiu do regime comunista, indo para os Estados Unidos, onde permaneceu por 35 anos no Texas, retornando para Bucareste após a Revolução Romena de 1989, onde morreu centenária.

Mudou seu nome então para Ottomar Rodolphe Vlad Dracula Prinz Kretzulesco, e imediatamente transformou o castelo localizado em Schenkendorf (Brandenburg) em um "museu de vampiros". Organizou as "festas dos sugadores de sangue" em conjunto com a Cruz Vermelha Alemã, na qual os convidados deveriam doar sangue, na sala de número 46. Também organizou inúmeros eventos de caridade, incluindo festivais medievais e reuniões para histórias assustadoras na "hora do fantasma". Rejeitando a tradição da família, não usava dentes postiços, porém utilizava um caixão para receber os visitantes, além de servir um schnapps com cor de sangue (Bloody Mary) e "salsichas do Drácula". Abriu um negócio de vinhos chamado "Castle of Dracula", e após uma briga com o governo alemão por conta dos altos impostos cobrados pelo mesmo, proclamou a cidade como "Principado do Dracula", dizendo que no "reino de Drácula" os impostos não passariam de 20%. Chegou mesmo a imprimir passaportes próprios, e criou planos para selos e placas de carros, mas a tentativa não obteve sucesso, tanto que o Estado, com um senso de humor incomum, ameaçou se "defender com alho" contra os objetivos de independência de Berbig.

Em 2003, Berbig, ou Rodolphe Vlad Dracula Kretzulesco, como queira, foi convidado a ser clonado pela empresa Clonaid (liderada pela seita dos Realianos) pelo valor de US$ 200 mil e negou, emitindo um comunicado á imprensa onde solicitava ás autoridades mais rigidez na proibição da clonagem, para evitar que pessoas tão loucas como o ditador Saddam Hussein fossem clonados.
Dificuldades financeiras com a burocracia local e problemas com neonazistas (Berbig foi ameaçado de morte, por 10 vezes foi atacado por incendiários e os muros do castelo de Schenkendorf foram pixados com suásticas pelo fato de Berbig ser um estrangeiro) o obrigaram a sair do palácio em 2006: "Eu quero sair daqui", disse. "Eu não quero mais viver aqui. Estou com medo. Eu quero viver em paz. Eu não consigo mais dormir à noite sem me preocupar em acordar em meio a um incêndio". Certa noite um grupo de 35 neonazistas ficaram em seu jardim cantando canções e carregando bandeiras nazistas. Eles gritavam frases anti-semitas, como "fora judeus" e "porcos judeus", o que pode indicar que o verdadeiro problema era com o castelo, propriedade de 32 hectares que pertencia a uma família judia. Em novembro de 2007 Berbig faleceu de tumor cerebral, porém deixando a linhagem dos Dráculas viva através do seu filho, Ottomar Dracula Junior, nascido no mesmo ano de sua morte.

Curiosidade: em 2000, Berbig participou, como Ottomar Rodolphe Vlad Dracula Prinz Kretzulesco, de uma faixa chamada "Mille Anni Passi Sunt", do disco de mesmo nome da banda Corvus Corax.

Corvus Corax é uma banda alemã conhecida por tocar música medieval com instrumentos autênticos. Seu nome é o nome científico do corvo. A banda foi formada em 1989 por Castus Rabensang, Win (Venustus) e Meister Selbfried. Frequentemente usa gaita de fole como instrumento solo e suas performances ao vivo atraem a atenção pela estranheza dos músicos, que se utilizam da reminiscência de antigos mitos gregos: seminus, com roupas diferentes, usando artigos estranhos como decoração, e tatuados.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Família Contemporânea – Ato I

(Considerações em dois atos)
Ato I

A família não é mais a mesma. Tempos atrás o homem era o chefe do lar, a mulher a dona de casa e os meninos deveriam receber uma educação diferente das meninas. Mas hoje isso não é mais aceito. Os papeis masculino e feminino são flexíveis e o conceito de família está sendo reconstruído. O que está em pauta são as novas formas de relacionamento entre homens e mulheres.

O cenário moderno é de um mundo confuso, com crise no conhecimento, onde existe um questionamento da dominação masculina heterossexual. Existe neste cenário uma abertura para falar de masculinidades e feminilidades, entendidas como históricas primeiramente e fragmentadas, por conseguinte.

Há um clima de confusão na família contemporânea ocidental que se começou a viver na “era pós-feminista”. O maior marco da família, quando se fala de masculinos e femininos, são as transformações que a família sofreu após o Movimento Feminista. O Movimento Feminista trouxe para a mulher a liberdade de escolha. Com a pílula anticoncepcional, a opção de ter ou não ter filhos, acabou por caber dentro da bolsa. Com o divórcio, rompe-se com a jura do amor eterno. Com a conquista do mercado de trabalho as mulheres saiam de casa. Com a revolução feminista até a biologia deixou de ser fatalidade. Ser mulher e ser homem já não é mais tão simples.

Isso trouxe uma questão importante que foi desnaturalizar o masculino e o feminino. Sempre naturalizado como sendo algo que o biológico demarcava, noutros termos, o homem é diferente da mulher por uma questão biológica. Aquela discussão que existia, a partir da década de 1920 e 1930, onde as pesquisas que se faziam eram pesquisas muito pautadas em cima de “constatações” de que o biológico dava “x” características para as mulheres e “y” características para os homens. E era exatamente assim que nas famílias se fazia.

Quando se olhava para um menino ou menina na família se esperava exatamente aquilo: que o menino fosse melhor em matemática, que a menina tivesse maior fluência verbal, que menina tinha de usar cor-de-rosa, menino tinha que usar azul – era tudo demarcado. Então, quando se olhava na família, a expectativa era já que estes comportamentos se exteriorizassem. Assim, os pais constatavam: “este é um menino”, “esta é uma menina”.

É somente a partir da década de 1950, mais ou menos, que se começa a questionar se esses comportamentos estariam no inato, ou seja, no biológico ou se esses comportamentos não surgiriam do ambiente e do social. A família não era assim, a família se torna assim após a revolução industrial. Na Revolução Industrial as mulheres trabalhavam nas fábricas; e elas deixaram esses trabalhos para ficar em casa por serem deveras mal remuneradas em relação aos homens. Então eles passaram a fazer esse papel de trabalhar fora enquanto a mulher cuidava da casa. O homem então começa a ser o provedor e a mulher se encarregar do ambiente doméstico. Com isso fica socialmente demarcado: o homem tem essas funções e as mulheres tem aquelas funções.

Parece que a vida era mais fácil assim, porque isso era quase que inquestionável. Da mesma forma que meninos eram de um jeito e meninas de outro, os homens e as mulheres tinham já seu ambiente definido. A expectativa era de que estes comportamentos se dessem dessa forma. A facilidade aqui é de não ter que se questionar, de não ter que se desacomodar de um lugar que, por mais que não seja uma maravilha, já esta definido, demarcado e claro – e como nos dá medo ter que reinventar lugares, se repensar...

Então, nós estamos vivendo um momento (que podemos chamar de confuso), de ameaça tanto das masculinidades quanto das feminilidades. Parece também um momento muito rico, que se deve olhar com muita sensibilidade e que tem desdobramentos importantes. Porque nessas transformações, vivemos várias coisas ao mesmo tempo. Se a gente sair um pouco dos ambientes que normalmente circulamos, se começa a perceber a pluralidade das famílias.

As famílias são plurais. Uma enorme proporção de famílias hoje é chefiada por mulheres e outras são chefiadas por homens. Um grande número de divórcios tem criado uma configuração às vezes difícil de entender. Existem famílias com re-casamentos, reconstituições de universos familiares, onde filhos de uns convivem com filhos de outros, onde se acaba criando uma pluralidade de culturas, de expectativas de estar em família, expectativas plurais de como se dá esses masculinos e femininos.

Estas transformações não vem isentas de problemas. Essas pluralidades ao mesmo tempo que enriquecem, também fragilizam. Não se está aqui reclamando das transformações e dizendo que no passado era melhor. Não é “passadismo”, até porque não dá mais pra voltar ao que era (e creio que nem se deva querer que volte ao que era). Mas devemos continuar a refletir essas novas configurações familiares para tentarmos encontrar esses novos lugares que agora não estão mais pré-definidos.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Flexibilização nas relações de trabalho.

Bom, estive lendo uma obra de Geraldo Augusto Pinto, sobre a atual organização do trabalho, onde o mesmo fazia menção a uma tendência cada vez mais acentuada de flexibilização nas relações de trabalho.

            Pois bem, analisando a referida obra e estando minimamente atento ao desenrolar dos fatos políticos de nossa década, posso dizer que fica evidente no Brasil a busca ostensiva por um modelo econômico cada vez mais próximo do padrão chinês, com a necessidade cada vez maior de qualificação profissional, para que os trabalhadores possam disputar arduamente salários cada vez mais baixos.

            Diz-se que o Brasil é um país rico! Concordo, mas como diria o glorioso Professor Claiton Schmidt, “É um país que produz pobreza”! Por quê?

            Vejamos, possuímos uma vasta riqueza natural, (petróleo, minerais, vegetais, água...) Enfim, tudo em abundância, e o que fazemos?

            Trabalhamos com a extração de matéria prima para a venda, ou seja, produzimos poucos e péssimos empregos, para que possamos vender a dita matéria prima por um preço ínfimo. Pagando mal nossos trabalhadores e explorando nosso país.

            Em contrapartida, vendemos nossa matéria prima a algum país naturalmente pobre, que não possui o que explorar, mas que produz riquezas, pois trabalha basicamente com a transformação da matéria prima em produtos de alta tecnologia, ou seja, cria muitos empregos e que remuneram bem. E como arcam com tais custos?

           Bem, vendendo tecnologia aos países pobres quando a mesma já está defasada para si, nos mantendo sempre retrógrados em relação a eles.

         Interessante também frisar, que as grandes multinacionais impõe um trabalho extremamente oneroso aos seus funcionários, em sedes fora de seus países, ou seja, um funcionário da Nike nos EUA trabalha cerca de 40% a menos que um funcionário da Nike no Vietnã ou na já citada China.

        Bom, o argumento que defende a flexibilização nas relações de trabalho está basicamente fundamentado na defesa da ordem econômica, com a conseqüente geração de emprego e renda.

         Todavia, já sabemos que nos contratos de vínculo empregatício, existe uma relação de hipossuficiência, onde o empregado depende jurídica e economicamente do empregador, e o pior, tal dependência é de ordem alimentar.

            Como podemos, portanto, conceber uma relação mais flexibilizada, com uma tutela cada vez menor do Estado regulando tal relação?

         Existem teorias como a de Pareto, que “medem” a realização da função social das empresas, entretanto, (ainda) o dever de cuidado e proteção aos cidadãos compete ao Estado, e empresa alguma, por mais benéfica que seja, deve ter autonomia na relação contratual independendo de lei, ou flexibilizando a mesma, pois seu fim primeiro e último é o lucro, sendo o empregado um meio para o referido fim.

         Portanto sempre que se fala em flexibilização nas relações de trabalho, se coloca perante a lei, empregado e empregador em situação de igualdade para dirimir conflitos.

 Contudo, sabemos que de fato tal igualdade não existe, e como bem versam os Protocolos dos Sábios de Sião: “A liberdade é uma idéia”, e “O direito reside na força”.  
           

De homens e mulheres

(Algumas aproximações, em quatro tempos)

Primeiro tempo

Aproximar-se sem criar dependência. Aproximar-se apesar da distância da internet. Ser feliz sem se comprometer. Fugir da solidão sem abrir mão da individualidade. Estes são os conflitos das relações afetivas dos nossos dias. No mundo contemporâneo as relações se movem com enorme fluidez, o movimento é constante. Tudo é permitido. Nós esperamos respostas imediatas. O amor se torna um produto com prazo de validade. Esse é o Amor Líquido, termo cunhado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman para descrever as relações afetivas de hoje: um mundo de infinitas possibilidades é também um mundo de constante insegurança.

Segundo tempo

Quando pensamos em duas pessoas como casal, no que liga um casal, tem algo que parece estar ameaçado – e é bom que esteja ameaçado – que é o mito do complementar. Se a gente pensa no masculino e no feminino como plural e movimento, a ideia de duas metades da laranja entra em falência. Porque essa ideia de uma junção automática, que ninguém tem que fazer nada e naturalmente tudo dá certo – parece que boa parte das pessoas que lerem este texto podem testemunhar com a própria vida – que essa ideia de junção automática não dá certo.

Não basta o desejo e o encontro para que se dê certo. Claro, acabamos jogando fora algo interessante que tinha nessa ideia romântica do casal complementar, mas que na verdade leva bastante gente à frustração. Frustração por esperar que uma imagem idealizada se conforme com o mundo da vida – quando isso não ocorre.

Na questão do casal, parece haver uma tensão. Se por um lado existem as tentativas de construção de uma relação mais igualitária, onde homem e mulher compartilham uma relação com equilíbrio de poderes (embora não se saiba muito bem como se faz isso, as coisas vão se fazendo). Por outro lado, o erotismo e a sexualidade, curiosamente, não são muito “politicamente correto”. Porque a sexualidade do casal também passa por fantasias e jogos de dominação, submissão, também passa por jogos de infantilização que são erotizados, e passa por “castigos” e “presentes”. Todo um universo do jogo de poder e da raiva, da agressividade, que estão relacionados com a expressão da sexualidade e que não estão necessariamente combinados de uma forma conjunta com a questão do casal igualitário que possa discutir a relação.

Qual é a diferença entre o masculino e o feminino? Porque, quando falamos em casal complementar, a diferença está excluída. Quando o Movimento Feminista reivindica a igualdade, a diferença está abolida nesta fala. Não é a diferença biológica que se pergunta aqui – já tão desconstruída atualmente. De fato não é a diferença aparente. Não sei exatamente qual que é a diferença entre masculino e feminino, mas é aí que circula o desejo.

Quando começa a não aparecer alguma diferença, a sexualidade quase que morre. Tem aí alguma coisa de misterioso ainda: como que a gente conquista a igualdade preservando as diferenças?

Terceiro tempo

Existe algo que ocorre no universo feminino em que a mulher espera coisas do homem. Creio que isso que ela espera circula, transita, na expectativa pelo amor romântico. Talvez não se limite nessa ideia de completude, de complementaridade, de colocar no outro a expectativa de completá-la, mas talvez uma ideia, uma espera, de se sentir desejada. De precisar confirmar que ela é desejada.

Principalmente hoje, onde tudo é retificado, restaurado. Vivemos no mundo das plásticas, da eterna juventude, as mulheres tem que cuidar muito bem do seu corpo, da sua pele... Essas mulheres que tem filhos e o peito caiu; tem filhos e vão fazer uma lipoaspiração. É na ilusão que essas coisas vão trazer pra ela essa confirmação do desejo. Talvez faça essas coisas exatamente porque não saiba mais onde está o desejo. Então, essa circulação de pensar no desejo, malfada expectativa de ter de volta com a plástica a desejabilidade de si pelo homem. Ora, quantas histórias já ouvimos de mulheres que se plastificaram e, mesmo ficando maravilhosas, seus maridos já não as desejavam mais? Quer dizer que não passa por aí o desejo – é outra coisa.

Há também a questão de que muitos homens chegam à família muito inexperientes – neófitos – recém saídos de suas mães. É como se eles somente mudassem de casa. Sai do colo da mãe e vai para outros braços, chegando nesse novo aconchego. E as mulheres estão muito felizes em fazer isso: acolher em seus braços um homem que queira a proteção deste aconchego. Então muitas mulheres “ajudam” a criar filhos mal saídos de suas mães; e muitos homens, bem criados por suas mulheres, vão embora – estão prontos para ir embora: para os braços de outra mulher.

Quarto tempo

Nós homens somos novos com relação a se tematizar. Tematizar o homem enquanto ser da relação homem-mulher. É como se discutir essas questões, ter que lidar com isso, é constatar uma perda de poder. Porque a ideia de não precisar discutir significa estar superior a estas questões. Só que enquanto alguns homens estão se colocando como superiores a essas questões, essas questões estão se dando e as coisas estão mudando.

No inicio da década de 1980 a questão do feminismo era muito evidente e os jovens homens se sentiam acuados. O adolescente queria seguir os grandes modelos masculinos e depois na vida adulta eles não sabiam o que fazer com as moças. Não só não se sabia o que fazer com elas como não podia perguntar. Ao menos hoje se pode perguntar – continua-se não se sabendo, mas pode perguntar. A ideia de que se tem que saber automaticamente “o que fazer” talvez tenha ficado menos forte: um sinal de flexibilização.

Se pensarmos que o que se está falando é na verdade que o homem nunca havia tematizado nada, não havia se tematizado, pouca coisa mudou. É dizer, o homem nunca tinha se pensado como homem – éramos sempre aquilo que é evidente: todos sabem o que é ‘homem’, seu papel e função na família. Esse “todos sabem” é justamente a negação de se tematizar. Ora, nós éramos tão auto-suficientes que nos restava apenas reclamar um pouco desse avanço que as mulheres estavam exercitando naquela época.

A impressão é que até hoje os homens se tematizam muito pouco. As mulheres conversam muito mais sobre sua condição do que os homens. Talvez é por estar ainda delegado às mulheres conversarem sobre o universo dos filhos, como se isso não fosse ainda um universo que os homens pudessem compartilhar. Como se fosse ainda um universo feminino e os homens ficassem “livres” deste universo, do universo das relações.

Elas falam de tudo, com muita naturalidade, elas falam de envelhecimento, de filhos, da vida, da sua sexualidade - de tudo. Nós homens quando nos encontramos, falamos de política, de mulher – bom, nem se fala tanto de mulher, não... Fala-se muito de futebol.

Acho que o futebol é fundamental pra preencher o imenso vazio masculino. Se não fosse o futebol de domingo, o que preencheria esse grande vazio?

sábado, 28 de maio de 2011

Neutralidade e Relativismo

“A ciência é neutra, pois usa métodos objetivos”

“Einstein já dizia que tudo é relativo!”

“Temos que ser neutros para bem decidir; afinal, tudo é relativo”

Eu não sei o que é pior. Se é o mito de que possamos conhecer a realidade de forma neutra, dito de outro modo, o mito de que existe um saber neutro e, portanto, teríamos no conhecimento científico o voto de minerva das contendas e a resposta aos problemas humanos - porque neutra não está do lado de ninguém, mas de todos. Ou se é pior a convicção mais ou menos geral de que tudo é relativo e, portanto, argumentar não teria muito valor, seria mera fantasia de pessoas obcecadas em te convencer – eu não gosto do teu argumento e pronto! Creio que o pior é quando estas duas ideias se articulam e se retroalimentam em uma única concepção (como na 3ª frase-mote deste post).

Se tudo é relativo, é relativo à que? Levi-Strauss fez certa vez um apontamento muito perspicaz: se gosto é relativo, então canibalismo é uma questão de gosto. Se há algum mérito na idéia de relativismo é o de ter rompido com o etnocentrismo europeu – e só. O problema de dizer que tudo é relativo é diluir a possibilidade de construir critérios que nos auxiliem a compreender certas questões (sejam teóricas ou práticas). Quando tudo é relativo, tudo é justificável e não há mais porque se argumentar – acabou a civilização! Sem argumentos voltamos ao tacape pra resolver divergências, algo meio hobbesiano.

E não dá pra aguentar o mau uso da referencia a Einstein sobre a relatividade de tudo. O que falam nas escolas nas aulas de física? Concordo que o nome da teoria dele em nada ajuda aos “não iniciados” a saberem do que se trata. A Teoria Geral da Relatividade trata justamente de encontrar uma base que não seja relativa à outra coisa, porque se tudo é relativo, essa “coisa” terá que ser relativa à outra e assim sucessivamente ao infinito. Einstein postulou que essa coisa que não é relativa a nada, mas ao que todas outras lhe tributam referencia, é a luz. Grosseiramente é isso.

Dá pra entender porque o argumento nietzscheano para a “morte de Deus” causou tanta revolta. Desde a filosofia de Descartes que Deus é o grande árbitro absoluto garantidor do acesso ao conhecimento da natureza pelo Homem. Deus era a “coisa” que não era relativa a nada. Com Deus “morto”, o Positivismo de Augusto Comte encontra morada no Reino dos Homens; e com ele a idéia de que conhecimento válido e verdadeiro é o científico... Claro, a ciência à La Comte. Max Weber dedica boa parte de seus trabalhos a questões de como ser neutro (p.ex. Ciência Como Vocação); notem que ele é desta época. Muita história rola a partir disto, mas não vou atordoar você leitor (ao menos neste post) com mais história. O que vale ficar dessa historieta é que se tentou convencer que ser científico é ser objetivo e para conseguir ser objetivo deve-se ser neutro.

Para acreditarmos no mito da neutralidade científica é preciso aceitar que o Homem pode olhar a natureza, o mundo, seja o que for, de fora. Afastado, intocado, sem contaminar o objeto de pesquisa e sem ser contaminado por ele. Que as pesquisas se dão sobre “dados” e fatos – como mostra a origem da palavra “dado” = “oferecido” pela natureza. Não tem nada “dado” na natureza, toda ciência constrói seus objetos e seus dados. O cientista sempre tem que escolher qual método vai usar – é ele que escolhe e não a natureza. Os métodos são construções teórico-filosoficas que sempre tem que assumir certos pressupostos para operar. Estes pressupostos condicionam os objetivos, os agentes e o funcionamento da ciência. Sofremos de uma concepção iluminista de que a verdade é alcançada com a descoberta de teorias, ocultas na natureza e postas ali por alguma divindade mitológica, bastando o ser humano descobrir quais são estas leis invariáveis da natureza para então dominá-la.

O ser humano faz parte dessa natureza que ele tenta entender; o que dirão ainda as Ciências Humanas, em que o pesquisador é o próprio objeto de pesquisa? Isso nada tem a ver com ideologia ecológica. Quer se dizer que a realidade humana é multidimensional, não existe fora da natureza, do mundo (do universo se quiserem). Ora se “a verdade” é um todo, certo e completo e cada ciência se baseia em uma única possibilidade, logo são falsas se pretenderem ser A Verdade. A ciência, como produto humano, é um poder exercido sobre as coisas e sobre os seres vivos, logo é necessário atingir uma reflexão sobre as decisões constitutivas dos diversos saberes das ciências humanas. A visão meramente objetivista, embora tente, não consegue fundar uma “ética do conhecimento”; entretanto não consegue prescindir de uma ética que lhe dê fundamento.

As condições onde se produzem os conhecimentos objetivos e racionalizados estão banhados por uma inegável atmosfera sócio-político-cultural. É dizer que não existe ciência “pura”, que a ciência é produto humano, que o cientista é atravessado pela subjetividade pessoal e social – quer goste ele ou não – a razão científica não é imutável. É histórica, social e cultural. O cientista não tem o privilégio da imunidade das injunções da mudança. Todavia, não significa por a ciência na lata do lixo – claro que não! É por isso que a atividade intelectual, que se pese científica, deve ser reflexiva e denunciar tudo o que parece se impor como “natural” ou “normal”. Humberto Maturana, em “Cognição, Ciência e Vida Cotidiana”, expressou isso sucintamente dizendo que não se foge de um posicionamento no mundo, sob pena de crer-se mero espectador do mundo; e, portanto, dotado de uma capacidade critica neutra.

Não há hoje cientista sério que acredite que a ciência dita verdades. O cientista de hoje sabe que ele não tem como provar nada, no máximo dizer em quais condições uma teoria pode ser refutada (Popper, Pierce, Lakatos, Godel). As publicações científicas são como os nossos jornais: as noticias de ontem tem menos relevo que as de hoje. Se o cientista não pode ser neutro, quem dirá nossas opiniões de botequim!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Solta o Verbo - Luiz Carlos Prates

Dando continuidade ao assunto proposto no meu último post, hoje vou dar a palavra ao jornalista, radialista e psicólogo Luiz Carlos Prates.


Prates nasceu em Santiago (RS), no dia 26 de janeiro de 1943. 

Iniciou a carreira em Porto Alegre no ano de 1960, quando atuou na extinta Rádio Porto Alegre, onde foi repórter, locutor e narrador de futebol de salão e de basquete. 

Em 1961 transferiu-se para a Rádio Difusora e, logo em seguida, para a Rádio Guaíba, onde trabalhou por quase dez anos. 

De 1964 a 1969, foi repórter da emissora Voz da América no Brasil. 

Em dezembro de 1972, formou-se em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica – PUC - do Rio Grande do Sul. 

Em 1975, foi contratado pela Rádio Gaúcha, onde trabalhou durante sete anos. 

Em 1977, tornou-se apresentador do “Jornal do Almoço” na TV Gaúcha.

Como narrador esportivo, participou de quatro edições da Copa do Mundo, de 1978 a 1990. Ainda atuou na Rádio Farroupilha e na TV Difusora de Porto Alegre.

Em 1981, mudou-se para Santa Catarina, onde trabalhou na TV Eldorado, de Criciúma. E na TV Record de Florianópolis. Em 1983, assumiu o cargo de coordenador de esportes da RBS TV de Florianópolis. Na emissora, narrou partidas de futebol e atuou como comentarista esportivo do programa “Jornal do Almoço”.

Exerceu a função de comentarista do Jornal do Almoço, da RBS TV de Florianópolis (entre diversas outras atividades ligadas à profissão de jornalista) até janeiro de 2011, quando saiu do grupo RBS.

A empresa não confirma, mas a saída de Prates ocorre após incontáveis manifestações de protesto contra alguns comentários feitos pelo jornalista em seu espaço na RBS TV e que foram mal recebidos por parte da opinião pública.

Pois bem, se lá te calam meu caro Prates, aqui queremos te ouvir!


Senhoras e senhores,  agora com a palavra, Luiz Carlos Prates:


“As pessoas andam doentes porque estão infelizes.”

"Este é um povo estúpido que não reage."

“Orgulho é consciência de valor, de trabalho bem-feito.”

“Para um ‘não te quero’, a melhor resposta é ‘nem eu’”

"Qualquer miserável agora tem carro"

“Se a lei não presta, mude-se a lei!”

“O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob, a chamada, ditadura militar”

"Ladrão tem que apanhar!"

“SAFADOS!” (Se referindo aos políticos envolvidos no escândalo das passagens aéreas).



Visite aqui o Blog dele.


Assista também:


Grafiteiros descriminalizados

Saiu hoje no Diário Oficial da União (DOU nº 100, seção 1, Atos do Poder Legislativo) a alteração da Lei 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, uma lei que aplicava sanções penais e administrativas sobre condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, entre outras providências como a integridade do Patrimônio Público.

E daí? “E daí” que essa lei de 1998 tipificava em um de seus artigos, o art. 65 no capítulo Dos Crimes contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural a prática do grafite, juntamente com a pichação, como crime. Para esta lei não havia diferença entre pichar e grafitar. Tudo farinha do mesmo saco. A penalização? Três meses a um ano de detenção, mais multa.

Ora, o poder público não fez essa diferença, embora ela seja bem marcante. Não está aqui em discussão se o grafite é bonito, se é feio, se eu gosto, se não gosto, ou ainda se é “mesmo” arte. Isso é discussão de outra ordem, lá no campo da estética. O ponto é que o Grafite é considerada uma arte de rua e a pichação é vandalismo. Em geral a pichação é demarcação de território de gangues, sujando o patrimônio público, depredando um bem de outra pessoa, desenhando em locais proibidos ou não solicitados pelos proprietários do bem. O pichador não está interessado em embelezar alguma parede nua, ele quer mostrar que ele “está na área” com dizeres, símbolos e assinaturas que identificam sua gangue e/ou suas práticas criminosas. Quem já não viu frases como “Nóis somos o terror”, “Porco deve morrer”, “Eu to é na bandidagem”... Precisa de mais exemplos?

O grafiteiro, muito pelo contrário, é de um movimento oriundo lá no final da década de 1970, em New York, das minorias sócioeconomicamente excluídas da cidade que desejavam expressar sua arte. Muitos eram contratados por ONGs ou proprietários privados para fazer alguma obra em uma parede nua. Grafiteiro faz sua arte em locais autorizados, de dia, sem precisar se esconder e dão uma aparência estética onde só havia concreto. Abrem janelas estéticas nos limites da pedra caiada da selva citadina... Mas claro, de 1998 até hoje, esta arte não podia ser expressa legalmente pois caia no mesmo fosso da pichação. Para uma cidade autorizar um grafite, por exemplo, nos túneis cinzentos de seus viadutos, teria de usar de subterfúgios jurídicos (que sempre há) para não ser sancionadora de crime: autoriza-se a “pintura artística de estilo urbano no viaduto da Conceição”. Ridículo!

Com a alteração de hoje na lei, saída no D.O.U., essa bobajada finda-se. Agora grafiteiro pode ser contratado para fazer honestamente sua arte e ter reconhecido pelo nome apropriado sua arte. De quebra a alteração impôs que a venda de sprays somente poderá ser feita a maiores de 18 anos sob identificação registrada na nota. Até que em fim! Criminalizaram em 1998, mas tinham deixado livre o acesso ao material da pichação – dá pra entender? Entretanto, não se enganem; existem muitas leis importantes tramitando no Congresso que não recebem atenção. Uma conquista como esta de hoje não vem desagregada de manobra política. Amanhã ou depois virá a cobrança da fatura: “porque nós respeitamos o povo e os grafiteiros... votem em nós!” ou “aquela lei bárbara era do governo do Fulano e nós alteramos para o bem do povo”.

O aprendizado político, cultural e jurídico é lento. Mas se perdermos a esperança de que nós podemos ter um mundo diferente... O que resta?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"Olhar-para"

“Mas que falta de respeito!”, “Ninguém respeita mais ninguém...”, “Fulano criticou as ideias de Sicrano, não se tem respeito hoje em dia!?”, “Imagina ir na casa de alguém sem avisar!? Cadê o respeito!?”, “Aquele político não respeita os trabalhadores”, “Isso não pode ser dito”, “As pessoas deviam calar se é pra ter essas opiniões” e por aí vai...

Quem já não ouviu estas ou outras frases como essas? Quantas vezes invocamos essa palavra – respeito – em situações tão diversas? Parece que estamos sempre prontos pra reclamarmos por respeito. Mas, mais de uma vez na vida teremos oportunidade (se já não tivemos) de ver duas pessoas reclamarem por respeito uma em relação a outra – e parecer que elas falam de coisas diferentes. Com isso podemos nos dar conta de uma coisa: não é evidente o que é respeito (ou a falta dele) para todos igualmente.

“Respeito se constrói” diz a voz popular – mas a partir de onde? Esta é uma questão complicada e somente por muita ingenuidade alguém diria ter isso claro prontamente, distanciado de uma reflexão. É complicada porque está ligada à ética – pois éthos, de onde vem a palavra, significa comportamento. Mesmo grandes filósofos já se “atrapalharam” com o tema. Então por que se importar com o assunto?

Ora, porque, como disse acima, usamos esse conceito com muita frequência e algo que usamos frequentemente deve ser melhor conhecido para ser melhor usado. Ainda que possa ser um tema difícil (até para filósofos) nada impede que se empreenda uma aproximação, que pode ampliar nosso entendimento (saindo de um mero senso comum) e que pode estar também equivocado (podendo ser revisado futuramente). O importante não é saber se estamos certos, mas ampliar nosso entendimento, saindo da ingenuidade. Se nunca dirigi um carro na vida, posso empreender uma aproximação de como se faz em uma auto-escola. Isso não me torna um profissional do volante e menos ainda um piloto de provas da 4Rodas, mas já passarei a entender aspectos de como se dirige que antes não percebia. Por isso, então, façamos uma aproximação disso, uma mera opinião, para que possamos juntos ter um olhar-para a condição do outro.

Não é mero acaso que escrevo “ter um olhar-para a condição do outro”. O motivo é simples. É que, por mais engraçado que pareça, a palavra respeito, em sua origem, significa exatamente isso: olhar para trás, considerar, examinar com atenção, ver as outras pessoas em sua condição, seja ela qual for, concordando ou não. Bom, se respeito é isso (perceber a visão de mundo do outro como tão digna quanto a minha) e cada ser humano é tão único que constitui um “universo particular”, então é como se cada um de nós fosse uma espécie de “país”. E, como todo país, esse “universo particular” que sou eu, você e todas as pessoas, tem limites.

O limite de meus desejos, direitos, de minhas liberdades, deste meu “território” é onde inicia o “universo particular” do outro! Ora, isso você já sabia e concordava, afinal existe até um ditado popular que nos diz que a “liberdade de um termina onde começa a do outro”. Então, onde quero chegar? Quero chegar aonde nos damos conta de que saber onde ficam as fronteiras desses “universos particulares” é uma das coisas mais difíceis. Tanto é difícil que inventaram mais de um ramo do saber pra estudar as relações humanas: a sociologia, a antropologia, ciência política, a ética etc. Algumas coisas das relações humanas são mais fáceis de apontar se o desrespeito ocorre; mas em outras, como na expressão de ideias, opiniões e críticas, frequentemente os limites não são nada claros. Em geral consideramos desrespeito, ou excesso de liberdade, as opiniões que nos desagradam fortemente.

Ora, também foi por isso, por essa dificuldade de definir onde começam e terminam nossas liberdades, que socialmente “inventou-se” a moralidade. Em princípio, a moral surge como uma tradição que aponta, doutrina ou ajuda as pessoas a saberem como agir em cada assunto da vida social. Claro que, nem eu nem você, concordamos com a maioria dos preceitos morais que acabaram se constituindo, na verdade, em preconceitos da sociedade que, ao invés de ajudar, muitas vezes atrapalham a vida. No geral, com esses “preceitos morais” conseguimos nos deslocar na vida social relativamente bem... Entretanto, uma multiplicidade de situações não tem “regras sociais” definidas de antemão; mantendo, a “fronteira” entre as liberdades de cada um, difusa.

Bom, se esses limites das minhas liberdades com as tuas liberdades não são tão bem definidos é notável que possa haver confusões entre as pessoas. E é o que acontece muito. As frases mote que iniciaram este post apontam para críticas de uma pessoa frente uma possível falta de respeito com outra. O ponto é que, possivelmente, aquela conduta do outro não é considerada um desrespeito, uma invasão do “universo particular”, por ele. Por exemplo, se eu criticar a teoria que um professor me apresenta isto pode ser considerado uma falta de respeito pelo professor ou pelos colegas, um “excesso de liberdades” do aluno, enquanto para mim é promover a reflexão. Posso dar opiniões, como este texto, ou os textos deste blog, que você pode não gostar; mas, nem por isso, se desrespeita alguém. Se dizem que certas coisas não podem ser ditas, certas opiniões são proibidas, certas ideias são subversivas... Bom, a liberdade de expressão acabou e a democracia falhou.

Não podemos ter medo de ideias, opiniões e críticas. Nada disso pode ser desrespeito, sejam as opiniões que se discorda ou as que se concorda. Temos que temer é o fim da liberdade de expressão, de ir-e-vir, de viver... Se “respeito se constrói”, então deve ser sobre os alicerces destas liberdades.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Politicamente Correto"

        Esse tsunami de posturas “politicamente corretas” onde cada letra do que se fala deve ser cuidadosamente medida para evitar complicações judiciais já irritou.

As pessoas que pensam de forma diferente estão com medo e vergonha de darem sua opinião em público, exatamente como ocorria em épocas de censura, só que desta vez os valores estão inversos. E falo por mim mesmo. Eu estou sentindo na pele isso e já estou de saco cheio!

A sociedade brasileira mudou sim, isso é inegável. Mas a prática de tentar coibir as opiniões opostas às ditadas pela regência continua. Só que ao invés de prender o sujeito que fala, agora ele é desmoralizado nas mídias, com auxílio de uma turba de ignorantes escravos da TV.

Como assim não posso falar isso ou aquilo? Quem é você pra querer me impedir de falar? Do que você tem medo?

Agora temos que nos preocupar com termos “afro” isso “afro” aquilo e substituir “ismo” por “ade” para não sermos estigmatizados de racistas e preconceituosos ou coisa pior. Como se o vocabulário fosse curar essas patologias sociais.

A chamada “onda verde” que assola todos os redutos de opinião do mundo, põe a paciência de qualquer um que tenha um mínimo de massa encefálica em estado crítico. Tem gente mijando no chuveiro e se achando o Capitão Planeta, enquanto pessoas inescrupulosas enchem os bolsos de dinheiro vendendo as famosas “eco-bags” e ONGs fajutas saqueiam nossa selva Amazônica.

Assim como já encheu o saco aquela palhaçada toda de desarmamento, as infindáveis (e demagógicas) passeatas pela paz e as insuportáveis campanhas anti-tabagistas (essas últimas que só fazem aumentar o consumo de cigarro).

E mais, somos regidos por um sistema de leis que prega a igualdade entre os homens mas que cria cotas de ingresso baseadas em diferenças étnicas (eu disse “étnicas” tá? E não “raciais”. Por favor não me prendam nem me chamem de racista).

Eu faço mais trabalho social e tenho mais engajamento em causas como o racismo, conscientização da juventude e sustentabilidade do que 99% das pessoas que ficam com seus rabos fedidos em casa despejando lixo verbal em sites de relacionamento. Eu faço o trabalho sujo e conheço a realidade de perto, enquanto você fica na sua casinha bonitinha vendo novela e Big Brother.

E sou eu quem não posso dar minha opinião? Ah, VÃO PRO INFERNO, ok?

Eu vou falar o que eu quiser, quando eu quiser. Porque é meu direito, como cidadão e como ser humano. E não estou nem aí pras suas malditas regrinhas do que é certo e errado. Faça sua lição de casa antes de querer dar algum palpite em algo que você não entende. Saia da sua vidinha medíocre e venha sujar seus lindos sapatinhos de grife com terra e bosta de esgoto a céu aberto num bairro pobre antes de vir me chamar de qualquer coisa! Certo?

Mesmo correndo o risco de ser execrado (e certamente o serei), eu vou dizer: ser politicamente correto é ESTUPIDEZ!

Sempre foi e sempre será. Não importa se as opiniões que agora são “erradas” são opostas às suas ou não.

Você não tem o direito de calar NINGUÉM, e nem de punir qualquer pessoa só por não concordar com você. Seja você quem for, ocupe o cargo que for, você não passa de um ser humano igualzinho aos outros bilhões que povoam esse planeta, e seus direitos terminam onde começam os direitos dos outros.

E pra coroar esse post, eu vou começar aqui uma campanha para dar espaço aos que estão sendo calados por esse pensamento imbecil.

Periodicamente publicarei citações de pessoas consideradas “politicamente incorretas”. Quero com isso dar o exemplo a todos e mostrar que esse negócio de ditar regras para o pensamento alheio não é legal. Ok? Tranquilo?

Então vamos lá. 

Para começar bem, vou listar as citações polêmicas do homem mais bombardeado da atualidade: o fanfarrão e polêmico Sr. Deputado Federal Jair Bolsonaro.


Embora eu discorde das palavras dele em inúmeras situações, e condene a postura que ele assume no plenário e nas mídias, eu sou o primeiro a dizer DEIXEM ELE FALAR!

Ele representa uma parte substancial da população brasileira, que merece ter uma pessoa que defenda essas posturas, do mesmo jeito que os oponentes dele o fazem. E se você não gosta, ótimo. Então fale você também. Mas fale com base e coerência. Não fique defecando verbalmente coisas que você não entende só acompanhando a opinião da boiada.

Abra sua mente e ocupe seu tempo com mais cultura e menos consumo, que é o melhor que você faz.



Senhoras e senhores, agora com a palavra, Dep. Jair Bolsonaro:

"Deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso".

"Eu falei para Robson Tuma ficar na dele, senão o enchia de porrada."

"Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas."

"Pinochet devia ter matado mais gente."

• “Eu tenho imunidade parlamentar pra falar. Não pra roubar.”

"Já vai tarde".
(Quando Luís Eduardo Carlos Magalhães faleceu, filho de Antonio Carlos Magalhães – ACM - . Revista Veja, 1998).

"É um índio que está a soldo aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para a noite sua ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena. Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens".

"Eu acredito em Deus. Sou católico. Mas é coisa rara ir à Igreja. Eu já li a Bíblia inteirinha, com atenção. Levei uns sete anos para ler. Você tem bons exemplos ali. Está escrito: "A árvore que não der frutos, deve ser cortada e lançada ao fogo". Eu sou favorável à pena de morte".

"O único erro foi torturar e não matar".
(Sobre a possibilidade de revisão da Lei de Anistia, que poderia punir de acusados de torturas e outros crimes contra presos políticos durante o regime militar).

"Isso nem passa pela minha cabeça. Eles tiveram uma boa educação, com um pai presente. Então eu não corro esse risco."
(Sobre a possibilidade de ter um filho homossexual, em entrevista ao CQC).

"Estou sofrendo preconceito por ser heterossexual."

"próximo passo vai ser a adoção de crianças (por casais homossexuais) e a legalização da pedofilia."

•”Mas ninguém nunca viu um bandido executado voltar a cometer crime” (respondendo ao comentário de Jô Soares, que argumentou que a pena de morte não resolve problemas de violência).

O senhor Tarso Genro é um borra botas” (discurso no plenário).

O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem."

"O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico." (Falando sobre o uso da tortura por policiais em operações contra o tráfico de drogas).

•“Foram 20 anos de ordem e progresso".(Falando sobre o Regime Militar Brasileiro).

Em 2000, afixou na porta de seu escritório um cartaz que dizia aos familiares dos desaparecidos da ditadura militar "quem procura osso é cachorro".



Assista também: